quarta-feira, 6 de outubro de 2010

A Parábola dos Trabalhadores na Vinha


"Porque o reino dos céus é semelhante a um homem, pai de família, que saiu de madrugada a assalariar trabalhadores para a sua vinha. E, ajustando com os trabalhadores a um dinheiro por dia, mandou-os para a sua vinha. E, saindo perto da hora terceira, viu outros que estavam ociosos na praça,E disse-lhes: Ide vós também para a vinha, e dar-vos-ei o que for justo. E eles foram.Saindo outra vez, perto da hora sexta e nona, fez o mesmo. E, saindo perto da hora undécima, encontrou outros que estavam ociosos, e perguntou-lhes: Por que estais ociosos todo o dia? Disseram-lhe eles: Porque ninguém nos assalariou. Diz-lhes ele: Ide vós também para a vinha, e recebereis o que for justo. E, aproximando-se a noite, diz o senhor da vinha ao seu mordomo: Chama os trabalhadores, e paga-lhes o jornal, começando pelos derradeiros, até aos primeiros. E, chegando os que tinham ido perto da hora undécima, receberam um dinheiro cada um. Vindo, porém, os primeiros, cuidaram que haviam de receber mais; mas do mesmo modo receberam um dinheiro cada um. E, recebendo-o, murmuravam contra o pai de família, Dizendo: Estes derradeiros trabalharam só uma hora, e tu os igualaste conosco, que suportamos a fadiga e a calma do dia. Mas ele, respondendo, disse a um deles: Amigo, não te faço agravo; não ajustaste tu comigo um dinheiro? Toma o que é teu, e retira-te; eu quero dar a este derradeiro tanto como a ti. Ou não me é lícito fazer o que quiser do que é meu? Ou é mau o teu olho porque eu sou bom? Assim os derradeiros serão primeiros, e os primeiros derradeiros; porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos". (Mt 20.1-16)

A leitura do Evangelho nos deixa ver que onde Jesus passava, tanto se manifestava a bondade e a fé dos pequeninos e simples de coração para crer como também se manifestava a maldade da virtude dos seres movidos a justiça própria, posto que a Graça é tão injusta aos olhos da justiça própria, que é impossível a alguém tomado pela idéia da auto-virtude conceber que algo tão “injusto e escandaloso” como a Graça de Deus possa ser justiça.

É estranho, mas é a justiça própria aquilo que mais gera maldade no coração humano!

Os que andam em justiça própria não podem agradar a Deus, posto que aquilo que Deus chama de bondade e misericórdia eles chamam de injustiça e auxílio à perversão.

É a partir da justiça própria que a inveja também nasce com força descomunal e com tendência psicológica homicida. Não necessariamente gera assassinos, mas infalivelmente produz milhões de juízes togados que são sem misericórdia nas sentenças que proferem.

Toda inveja carrega uma carga homicida, posto que o invejoso quer o lugar do outro, o que é do outro, ou até ser o outro — ora, tudo isso implica em que o outro deixe de ser ou que então mergulhe no vazio.

Ora, todo aquele que ao ver Deus ser gracioso e exagerado em Seu amor para com outro ser humano, ao invés de se alegrar, se ira e discorda de Deus, e odeia o que recebeu a dádiva e a ele se compara, e julga Deus injusto por havê-los igualado — este jamais conheceu a Graça de Deus, posto que a primeira coisa que um ser humano que encontrou Graça, de fato, descobre, é a sua total condição de desgraçado em-si-mesmo. “Desventurado homem que sou!” — grita ele. Portanto, ele jamais verá injustiça na Graça de Deus, pois ele mesmo se considera o maior beneficiado por tamanha santa injustiça que justifica injustos pela justiça de um único justo, de tal modo que o injusto se torna justo — não porque tenha feito qualquer coisa que assim o tornasse justo, mas apenas porque creu que a justiça do Único justo pode ser a justiça de nós todos. E ele se alegra que assim seja; do contrário, ele sabe que estaria perdido. Ele sabe que isso é loucura para a consciência humana cheia de autojustificação, e sabe que é total escândalo para aqueles que crêem que são justos em-si-mesmos. Ele mesmo, porém, a ninguém julga, exceto a si mesmo, pois se julgar a alguém, na mesma hora a si mesmo se condena.

De modo semelhante, na parábola do filho prodigo, o filho mais velho, que tinha trabalhado fielmente para seu pai “durante todos esses anos”, e que nem uma vez desobedeceu às ordens de seu pai ( como os zelotas e os fariseus ), fica indignado quando ouve dizer que o pai mandou matar o novilho gordo e está preparando uma festa para seu irmão pecador. O filho mais velho não participa da compaixão que o pai sente pelo filho perdido. Por isso ele sente que seu pai está sendo injusto.

Cuidado para que você não odeie Deus, o “dono da vinha”, pela Sua soberania de ser bom para quem desejar e como bem entender, dando a qualquer um o que é Dele, e não devendo explicações a ninguém por assim fazer com o que é Dele. Isso tornaria você um perverso aos olhos de Deus. Salve-se desse terrível mal. Ame a bondade de Deus.

2 comentários:

  1. Olá!Amado Pr, Flavio, Graça e Paz...

    Parabéns, eu amo todas as parábolas do mestre Jesus, e esta é uma das minhas preferidas. Jesus é a verdade, e o caminho e a vida.
    Como verdade, como já disse o amado: Nada pode ficar oculto, inclusive as intenções, seja elas, boas ou más. Como caminho, Ele esta sempre em movimento, caminhando, buscando, enquanto á dia, trazer para a sua vinha, o reino dos céus, os que ainda estão fora. Como vida, Ele tem como maior recompensa aos que lhe servem a sua própria vida.
    Mas o que ocorre no tempo desta parábola é, que eles ainda estavam vivendo no período da lei, e nesta lei, a justiça só era alcançada através do mérito das obras, por isso é que o primeiro trabalhador ficou inconformado por seu pagamento ser igual ao pagamento do ultimo trabalhador; onde Jesus retrucou, contra a sua maldade, porque a bondade do Senhor já estava voltada para um futuro próximo, onde todos seriam destituídos de todo e quaisquer méritos ou justiça praticada; mas pela fé em Cristo seriam agraciados e justificados para a salvação, e não, mas por obras, para que ninguém se gloriem. Creio ser está a verdadeira mensagem desta parábola.
    Deus abençoe ricamente a sua vida e sua família e ministério em Cristo Jesus...

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  2. Prezamigo pr. Flavio Constantino,

    A paz do Senhor!

    Com certeza, a bondade de Deus deve ser analisada, dia após dia, para que ultrapassemos o além da nossa capacidade humana em pensar e admitir. somente o Espírito Santo poderá confirmar em nossos corações esta bondade.

    Somente através de uma vida intensamente dedicada ao Senhor, conseguiremos admitir que a Justiça de Deus, ultrapassa o nosso entendimento pela sua maravilhosa misericórdia.

    o Senhor seja contigo!

    O menor de todos os menores.

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