domingo, 17 de março de 2019

QUARESMA





       Se você leitor me permitir, quero antes de falar sobre a QUARESMA falar sobre o Carnaval.

     A origem do carnaval ainda é desconhecida. As primeiras referências a ele estão relacionadas a festas agrárias. Alguns atribuem seu surgimento aos cultos de agradecimento aos deuses pela fertilidade do solo e pela colheita, realizados na Grécia durante o século 7 a.C. A festividade incluía orgias sexuais e bebidas, e os foliões usavam máscaras e disfarces simbolizando a inexistência de classes sociais.

      As folias do carnaval também estão ligadas às festas pagãs romanas, marcadas pela licenciosidade sexual, bebedeira, glutonaria, orgias coletivas e muita música. Eram conhecidas como bacanais (em homenagem a Baco, o deus vinho e da orgia), lupercais (em homenagem ao deus Saturno, que, segundo a mitologia grega, devorou seus próprios filhos).

      Com o advento do cristianismo, a Igreja Católica Apostólica Romana começou a tentar conter os excessos do povo nessas festas pagãs e a condenar a libertinagem. Porém, com a resistência popular, em 590 d.C. ela própria oficializou o carnaval dando origem ao "carnaval cristão", quando o Papa Gregório I marcou definitivamente a data do Carnaval no calendário eclesiástico.

     Esse momento de grandes festejos populares antecedia a Quaresma, período determinado pela Igreja Católica para que todos os anos  os fiéis se dedicassem, durante 40 dias, a assuntos espirituais, antes da Semana Santa. No período que ia da Quarta-feira de Cinzas até o Domingo de Ramos, o povo deveria entregar-se à austeridade e ao jejum.

    Como o povo enfrentaria um longo período de privações e abstinência, alguns "carnais" permitiram que o povo cometesse então algumas extravagâncias antes. Às vésperas da Quaresma, os cristãos fartavam-se de assados e frituras entre domingo e a "terça-feira gorda". O que deveria ser apenas uma festa religiosa acabou assimilando os antigos costumes de libertinagem e bebedeiras.

      Esses dias de "vale-tudo" que antecedem a Quaresma, em que as pessoas ficam 40 dias sem comer carne, passaram a ser chamados de adeus à carne, que em italiano é carne vale, ou carnevale, resultando na palavra carnaval.

        A Quarta-feira de Cinzas, primeiro dia da Quaresma, simbolizava o momento em que as pessoas se revestiam de cinzas, evocando que do pó vieram e para o pó retornariam, e ingressavam no período em que a Igreja celebra a paixão, a morte e a ressurreição de Jesus Cristo.

     Visto que até hoje essa festa traz consequências físicas, morais e espirituais degradantes e estampadas nos noticiários da Quarta-feira de Cinzas, aconselho aos que não participam do carnaval que continuem de fora, seguindo o conselho bíblico em 1Jo 2.16: "Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo". Sendo assim, não convém ao cristão, mesmo a titulo de curiosidades, participar dessa festividade.

       Voltando ao tema, muitos cristãos tem rejeitado, seja por desconhecimento, seja pela imediata associação com o catolicismo romano, os ensinamentos trazidos pela correta observação do tempo da Quaresma. Contudo, esta data celebrada pela Igreja que é, em resumo, o tempo litúrgico reservado especialmente para refletirmos sobre a conversão, as doutrinas da Fé, da Graça, além de ser um momento fundamental de preparação individual e em grupo para o tempo de Páscoa. A Quaresma possui raízes muito mais profundas do que a maioria dos cristãos devotos imaginam.

    A palavra "quaresma" tem origem na junção de duas palavras oriundas do Latim, "quadragesima" (Quadragésimo) + dies (dia), fazendo, assim, referência ao tempo de 40 dias que antecedem a Páscoa. Sua celebração faz parte da história da Igreja Católica e de sua tradição. Dentro da doutrina católica esse período de quarenta dias serve, dentre outras coisas, para que o fiel faça jejuns (alguns fazem jejum de carne e de derivados de seres vivos como leite, ovos, etc. O mais comum é o jejum de carne) e observem de forma especial esses dias como dias penitenciais, ou seja, dias em que deve se penitenciar a si mesmo com o objetivo de alcançar o perdão dos pecados e se aproximar de Deus.

        A obra "A luta entre o Carnaval e a Quaresma", de Pieter Bruegel, o Velho, ilustra bem o conflito dualista humano a tensão entre o ente religioso e o desejo em excesso do prazer. A obra é uma expressão quase cirúrgica do que temos nas culturas da cristandade, a entrega desenfreada antes que a quaresma chegue ou, em outros casos, a entrega para o prazer antes que a seriedade do ano com sua rotina pesada chegue - afinal é carnaval e tudo está liberado.

         O autor ainda alerta para o paradoxo entre "natureza e graça" e "santo e profano" faz que alguns recorram a caminhos que vão desde a aparente "pureza critica", que suprime a natureza (os prazeres da carne), até a entrega absoluta e consciente para sarjeta do prazer. No entanto, ambos os casos ignoram o que há de mais precioso na vida e mais urgente em nosso meio, pois afinal, ambas as alternativas são dualistas que dividem o ser em: ora um ser moralmente religioso, ora um ser fanfarrão. O dualismo faz do sujeito então um hipócrita.

        Visto não ser um sacramento, a Quaresma não é de observância obrigatória, nem está diretamente ordenada nas Escrituras. Sendo assim, creio que a salvação é pela graça e não por obras humanas, conforme diz a Bíblia em Efésios 2. 8-9: "Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie". Devemos considerar que nenhum tipo de santificação, jejum e oração gerará qualquer mérito para que recebamos a misericórdia de Deus. Nenhuma disciplina quaresmal é capaz de nos fazer merecedores da Cruz de Cristo. A Cruz, sim, deve nos conduzir constantemente à oração, ao jejum e ao arrependimento.

          Por outro lado, a observância desse período tem como único objetivo trazer o cristão ao centro da vida cristã, enfatizando o estudo da Palavra, a oração, o jejum e a prática da caridade cristã . Evidentemente, tais virtudes não devem ser cultivadas apenas durante o tempo da quaresma como se fossem obrigações legalistas e através das quais se alcançaria o favor Divino. Muito pelo contrário. A Quaresma é o tempo propício para que o cristão reflita e retome alguns aspectos da vida cristã que podem haver sido perdidos ou enfraquecidos ao decorrer da caminhada de fé em razão da decaída natureza humana.



Soli Deo gloria

Flavio F Constantino
                 

sábado, 23 de fevereiro de 2019

ENVIE PALAVRAS DE ÂNIMO PARA CRISTÃOS PERSEGUIDOS


Escreva para Eldos, cristão ex-muçulmano que foi agredido, e para a irmã dele, que presenciou a cena de violência


O jovem cristão ex-muçulmano Eldos Satar Uluu, de 25 anos, mora em Tamchi, na região de Issyk-Kul, no Quirguistão. No dia 16 de outubro de 2018, três jovens radicais muçulmanos (Samuddin Uuly, Malik Uuly e Turusbek Uuly) invadiram a casa de Eldos para atacar seu pai, um cristão. O pai de Eldos não estava em casa, mas ele sim. Durante o ataque, os agressores tentavam reconverter o jovem ao islamismo. Os três homens foram identificados por Eldos e por sua irmã, Nurzhan, que testemunhou o ataque enquanto estava escondida em outro lugar da casa. Nurzhan estava grávida de seis meses e teve um aborto devido ao trauma causado pela situação que presenciou.

Abalado física e emocionalmente
Eldos foi levado ao hospital com um olho sangrando, traumatismo craniano grave com possível sangramento no cérebro, dentes arrancados e a mandíbula fraturada. Os médicos, inicialmente, pensaram que havia uma séria ameaça à sua vida e que morreria ou ficaria incapacitado.O jovem cristão ficou deprimido com toda a situação e chegou a ter ataques de pânico.

Agora, os parentes dos agressores ameaçam a família de Eldos e toda a comunidade cristã local de violência física, caso não seja retirada a queixa contra eles. Mesmo no hospital, Eldos tinha que ser guardado por irmãos da igreja, pois havia ameaças de um novo ataque. Por causa disso, ele foi transferido do Hospital Nacional de Bisqueque, a capital do país, para uma clínica particular. Eldos está consciente, mas sua condição física ainda inspira cuidados, bem como seu estado emocional. Ele agradece a todos que oraram por ele e reconhece: “Eu só estou vivo ainda por causa da oração de tantas pessoas, eu sinto isso. Obrigado”.

Os agressores estão em liberdade
Apesar de a polícia alegar que está investigando o caso, os parentes de Eldos e sua advogada, Zhanar Askar Kyzy, não estão convencidos disso. Os agressores foram interrogados pela polícia e condenados, mas foram soltos. Mesmo depois que a juíza Merim Akhmatova do tribunal de Issyk Kul ordenou que eles ficassem em prisão domiciliar, a polícia não fez nada para que a decisão fosse cumprida.

A advogada criticou a decisão, dizendo: “Essas pessoas são perigosas, pois ousaram até mesmo ir ao hospital para fazer mais ameaças e devem ser mantidas sob custódia”. A juíza, por sua vez, afirmou: “Eu tomei minha decisão porque as acusações contra os réus permitem tal restrição”. Ela se negou a discutir mais o caso.

Escreva para Eldos e sua irmã
Você tem a oportunidade de se colocar ao lado desses irmãos em oração e de forma prática. Escreva um cartão com imagens e palavras de ânimo para encorajá-los, fazendo-os saber que a igreja brasileira está orando por eles e que o socorro virá do alto. Envie seu cartão até 18 de março e fortaleça-os com suas palavras.

Fonte: https://www.portasabertas.org.br/categoria/noticias/envie-palavras-de-animo-para-cristaos-perseguidos


sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

A LUZ NÃO PODE SER APAGADA


Pastor iraniano que fugiu do país compartilha sobre suas experiências na igreja secreta local.

O Irã é conhecido como uma das comunidades de cristãos ex-muçulmanos com crescimento mais rápido do mundo. O restrito governo islâmico está empenhado tentando acabar com eles, e tem um pouco de sucesso. A história do antigo líder de igreja doméstica, Wahid, mostra como. “Aos domingos, temos cerca de 200 pessoas aqui”, conta Wahid, nos convidando para a igreja que ele pastoreia na Turquia: um lugar espaçoso, com um palco cheio de instrumentos. É tão diferente da igreja que pastoreava no Irã, onde a igreja não era maior do que uma sala de estar e o “grupo de louvor” não passava de um simples toca-fitas.
Ainda assim, não foi escolha de Wahid deixar seu país. Ele tinha uma boa vida, era dono de uma lavanderia. Mas por causa de sua religião, a pressão aumentou tanto que ele teve que fugir. Agora, vive na Turquia com milhares de outros refugiados. Wahid é casado e pai de um garoto de dois anos e meio. Nós conversamos sobre sua juventude. A separação dos pais o entristeceu, mas a depressão só chegou depois da morte da mãe. Ele viveu com ela a vida toda, e depois de jovem, teve que viver com o pai, que deu a ele pouco amor. Wahid cresceu como muçulmano, mas as circunstâncias da vida o fizeram desprezar Alá. Enquanto adolescente, odiava sua vida. Mas um dia, a luz foi acesa em seu caminho. Um amigo dele se converteu ao cristianismo. “Ele me falou sobre Jesus. E é difícil explicar o que aconteceu comigo. Eu diria que alguma coisa mudou em meu coração, eu senti um calor dentro de mim”, disse.
Enquanto os cristãos o aceitavam e amavam incondicionalmente, o mundo exterior era duro por causa de sua nova fé. “Meu pai me rejeitou e eu também fui recusado em um emprego porque não assinei um formulário declarando que era muçulmano”, explica. A perseguição piorou quando Wahid começou a participar de uma igreja secreta e depois se tornou líder dela. “Um dia, quando ia para a igreja, recebi uma ligação de ameaça do governo. Depois daquilo, sempre achava que estava sendo seguido e que meu telefone estava grampeado, o que não é anormal no Irã”, conta.
Perseguição do governo
A tensão aumentou, e por um ano, a igreja doméstica se dividiu em pequenos grupos de duas ou três pessoas para evitar a atenção do governo. Mas isso não ajudou. Um dia, quando se reuniram com 25 cristãos, forças de segurança entraram na casa, gritando, amaldiçoando e filmando tudo. ”Eu nunca esquecerei aquela noite. Ainda lembro das crianças chorando com medo. Foi tão difícil de ver”, compartilha. Wahid e vários outros membros da igreja acabaram na prisão. Primeiro em celas isoladas, e depois nas alas gerais superlotadas. À noite, eles dormiam como livros em uma prateleira, mas durante o dia, lutavam com instalações sanitárias superlotadas. Wahid teve sérios problemas pulmonares por causa das más condições da prisão. “Eu sempre sonhava que saía da prisão, mas quando acordava, percebia que ainda estava lá”, disse.

Mas quem pensa que o governo está tendo sucesso em exterminar a igreja está errado. Mesmo com as circunstâncias para os cristãos sendo extremas, eles continuam tendo o Senhor dentro deles. Por isso, a igreja não morreu na prisão. Pelo contrário, muitas pessoas vieram à fé por meio de Wahid e dos membros de sua igreja. E, apesar da prisão e da pressão posterior que o forçou a sair do país, a igreja no Irã continua crescendo.
Wahid participou de um aconselhamento pós-trauma para ex-prisioneiros realizado pela Portas Abertas. Ao lhe perguntarmos por que não desistiu de Jesus quando a perseguição chegou, como o governo esperava, ele sorri: “Eu preciso de Jesus. Sem Jesus, eu não teria vida, nem esperança. Não posso viver sem ele nem por um momento. Ninguém pode”, respondeu.
O Irã é um dos países do Top 10 da Lista Mundial da Perseguição 2019, que mostra os piores lugares para ser cristão. Lá, o principal tipo de perseguição é o islamismo radical. Por conta disso, nossos irmãos precisam se preparar para enfrentar a perseguição com a sabedoria divina. A sua doaçãopermite que um cristão participe de treinamento por uma semana. Edifique a igreja onde existe opressão islâmica.

A Revista Portas Abertas do mês de fevereiro trata de países do Top 10, falando sobre o islã e a perseguição à igreja. Além disso, nela você ainda pode conferir notícias, pedidos de oração, devocionais e testemunhos de cristãos perseguidos. Com apenas uma contribuição, você receberá uma edição por mês durante um ano. Saiba mais sobre a Igreja Perseguida.

Fonte: https://www.portasabertas.org.br/categoria/noticias/a-luz-nao-pode-ser-apagada

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

AULAS DE ENSINO RELIGIOSO?



A educação da consciência religiosa é direito de todos. Para garantir esse direito, a Lei de Diretrizes e Bases, artigo 33, apresenta o Ensino Religioso (ER) como parte integrante da educação básica. Há quatro grandes temas que fundamentam esse ensino. São eles: a compreensão da história, a interpretação da cultura, a busca de sentido e a compreensão da experiência religiosa.

A compreensão da história
O fato religioso está presente em diferentes grupos, nações e períodos e quem não o compreende também não compreenderá a história humana. A saga dos faraós do Egito, dos imperadores romanos, dos índios americanos; as carrancas escandinavas e asiáticas; a colonização do Brasil; a história da arte, da arquitetura; a relação entre sagrado e profano e tantos outros aspectos culturais não seriam entendidos na sua essência sem o reconhecimento do fato religioso. O ER oferece uma outra perspectiva para a análise da história.

A interpretação da cultura
A antropologia fala do processo espontâneo que se dá no interior das culturas, responsável pela manutenção e transmissão das tradições de geração em geração. Quanto mais consciente e intencional for esse processo, tanto mais serão fortalecidas a própria identidade cultural e a capacidade de conviver com o diferente e respeitá-lo. O ER será responsável por desenvolver essa competência da questão religiosa.

A busca de sentido
As perguntas fundamentais da existência humana - De onde vim? Para onde vou? etc. - não são apenas capricho de mentes desocupadas. Elas compõem a busca necessária ao desenvolvimento humano. O papel fundamental da educação é abrir possibilidades de respostas, para que o sentido da vida vá além da própria vida. O objetivo do ER não é responder às questões, mas criar condições para que essa reflexão se dê num ambiente educativo onde haja espaço para o diálogo, o debate, a pesquisa e a síntese pessoal e coletiva.

Compreensão da experiência religiosa
O que caracteriza a experiência é a mudança gerada na relação sujeito e fato (acontecimentos). Toda grande mudança nasce de um momento interior, íntimo, vivido na relação com o eu e o não-eu. Por isso, podemos dizer que a experiência corresponde sempre a um aspecto de envolvimento pessoal e um aspecto de interpretação do que foi vivido. Paulo Freire, sobre isso, diz o seguinte: “O homem é um ser que está no mundo e com o mundo. Se apenas estivesse no mundo não haveria transcendência nem se objetivaria a si mesmo. Mas como pode objetivar-se, pode também distinguir entre um eu e um não-eu. Isso o torna um ser capaz de relacionar-se; de sair de si; de projetar-se nos outros; de transcender. Essas relações não se dão apenas com os outros, mas se dão no mundo, com o mundo e pelo mundo, nisso se apoiaria o problema da religião”. (FREIRE, 1981) A religiosidade é inerente ao ser humano. Se não a educamos estamos empobrecendo a sua humanidade. Dessa forma, o ER deve criar condições para que o educando possa interpretar suas experiências religiosas, trazê-las ao nível consciente e, assim, gerar mudanças significativas na própria vida e nas relações sociorreligiosas.


OLIVEIRA, Adalgisa A. Mundo Jovem. Ano XLI, nº 333, Fevereiro, 2003.

terça-feira, 25 de dezembro de 2018

JESUS, NATAL E A MINHA FAMÍLIA




Foi Paulo quem disse que não era mais para se guardar festas religiosas como se elas carregassem virtude em si mesmas. Assim, as datas são apenas datas, e as mais significativas são aquelas que se fizeram história.

O mesmo se pode dizer do Natal, o qual, na “Cristandade”, celebra o “nascimento de Jesus”.

No entanto, aqui há que se estabelecer algumas diferenciações fundamentais:

A. Que Jesus não nasceu no Natal, em dezembro, mas muito provavelmente em outubro.

B. Que o Natal é uma herança de natureza cultural, instituída já no quarto século. De fato, o Natal da Cristandade, que cai em dezembro, é mais uma criação de natureza constantiniana, e, antes disso, nunca foi objeto de qualquer que tenha sido a “festividade” da comunidade dos discípulos.

C. Que a Encarnação, que é o verdadeiro natal, não é uma data universal — embora Jesus possa ter nascido em outubro —, mas sim um acontecimento existencial que tem seu inicio em nós quando cremos que Deus estava em Cristo, e se renova em nós cada vez que vivemos no amor de Deus, confiantes na Graça da Encarnação e na Encarnação da Graça: Jesus, o Emanuel.

D. Que embora o Natal da Cristandade não seja nada além de uma celebração religiosa e sincrética, nem por isso ele faz mal a quem o celebra como quem come o pão e bebe o vinho do Amor de Deus em Sua Encarnação. Isso porque, como qualquer outra coisa, o que empresta sentido às coisas não são as coisas em si mesmas, mas o olhar de quem nelas projeta, simbolicamente, o seu próprio coração.

Assim, que cada um tenha o Natal que em si mesmo tiver sido gerado!

Há quem faça um natal existencialmente do tipo “Casas Bahia”. Por outro lado, existem aqueles que o tornaram algo tão “exato” que não o celebrar é como não comparecer ao “Aniversário de Jesus”. E Há quem não o celebre por julgá-lo uma festa pagã.

O fato é que as coisas ganham o significado que nossa consciência atribui a elas!

Eu compreendo aqueles que querem ser rigorosamente e distintamente Cristãos. Que querem ser libertos do mundo e qualquer raiz pagã que possa repousar sob nossa celebração do Natal, mas não me posiciono da mesma maneira nesta questão porque penso que chega um ponto onde as raízes já estão distantes de tal forma que o significado presente não carrega mais nenhuma conotação pagã. 

O Natal agora significa que marcamos, no meio cristão, o nascimento de Jesus Cristo. Nós achamos que o nascimento, a morte e a ressurreição de Cristo são os eventos mais importantes na história humana. Não marcá-los de alguma forma, através de uma celebração especial, me parece que seria insensatez.

Realmente vale o risco, mesmo que a data de 25 de Dezembro tenha sido escolhida por causa de sua proximidade com algum tipo de festival pagão. Vamos apenas tomá-la, santificá-la e fazer o melhor com ela, porque Cristo é digno de ser celebrado em seu nascimento.

Em meio a tudo isso é Natal! Data em que se comemora o maior ato relacional de todos os tempos: Deus se fez homem para que os homens pudessem entendê-lo. Deus, que tudo pode, passou a poder apenas no nível do humano, ainda que repleto de fé; Deus que em todos os lugares está, passou a estar, limitado pela física, num só lugar de cada vez. Tudo para se relacionar.

Neste tempo em que nos comunicamos cada vez mais, para nos relacionarmos cada vez menos, é tempo de pensar no Personagem máximo do Natal, e de lembrar a importância que uma vez foi dada ao relacionamento com e entre os seres humanos.

As pessoas estão cada vez mais distantes entre si, os relacionamentos estão desmoronando, os casamentos não resistem à menor crise, o individualismo ganha proporção geométrica, embora, a privacidade esteja se tornando impossível. Pensando nisso, não posso deixar de colocar a minha experiência em família que ontem me fez ressaltar aos olhos.

Houve um tempo (já casado e pai) que a Celebração do Natal em família não tinha tanto significado para mim, mesmo rodeado por muitas pessoas. Ontem, ao contrário de tudo que já tínhamos vivido, percebi a grandeza de estar em família numa data tão significativa. Com apenas quatro pessoas em casa (eu, minha esposa e minhas duas filhas) fomos capazes de nos alegrar como nunca ainda havíamos nos alegrado, mesmo com tão pouco (financeiramente falando). Com duas semanas de antecedência minha filha caçula resolveu que fizéssemos um amigo oculto (barra de chocolate), tiramos os nomes e ficamos esperando o dia de ontem (24). Foi o amigo oculto mais rápido da história em cinco minutos já tínhamos encerrado a brincadeira, mas as gargalhadas que tomaram conta do ambiente permaneceram pelo restante da noite todas as vezes que lembrávamos do nosso amigo oculto “flash”. Percebi que você não precisa de muito para ser feliz estando perto de pessoas que realmente te amam por aquilo que você é apenas, e não por aquilo que você tem.

Sendo assim, acho bom que uma vez por ano pelo menos, nos lembramos de reunir família e gente querida ao redor da mesa. Juntos fazemos uma refeição litúrgica e comer se torna um rito sagrado. Avisamos à alma: precisamos parar e esperar uns pelos outros. Dizemos que “com-panhia” (com-pão) tem a ver com a alegria de repartir. De tarde, enquanto se prepara a comida, do forno quente brotam memórias. Empilhados, cada prato tem dono (alguns se foram, meu Deus, quanta saudade!). E o brinde promete continuarmos juntos, venha o que vier. Jantamos. As pessoas que amamos são o parapeito, a segurança mínima, que precisamos na vida inclemente, e no precipício do tempo.

Vou guardar esse Natal pra sempre em meu coração e tenho certeza que as minhas meninas também.


Soli Deo gloria

Flavio F Constantino


sábado, 8 de dezembro de 2018

CRISTÃO MARROQUINO É EXPULSO DE CASA AO SE CONVERTER


Youseff perdeu também muitos amigos, no entanto sua fé cresce em igreja doméstica enquanto compartilha o amor de Deus

Youseff é um marroquino que buscava a verdade desde menino, então começou a ler o Alcorão e a Bíblia para ver qual dos dois falaria com ele. “Depois de dez minutos lendo o Alcorão, eu fiquei com medo. Por outro lado, eu amei ler a Bíblia, e eu lia por três horas seguidas”, afirma. Depois conheceu um missionário que lhe explicou sobre o cristianismo e o ajudou a entender melhor.
Mas Youseff também queria entender mais sobre o Alcorão, então foi falar com um dos líderes da mesquita local, que lhe disse que ele não podia questionar Deus. Após mais leitura bíblica e conversas com o missionário, Youseff se entregou a Jesus. No entanto, ele conta: “Quando disse para minha mãe que tinha me tornado cristão, ela me falou para sair de casa e eu tive que ficar na casa de um amigo”. Depois de algum tempo ele pôde voltar para casa, mas perdeu todos os amigos.
Mais tarde, visitou uma igreja internacional, mas por causa da vigilância da polícia, teve que parar. Depois foi convidado para uma igreja doméstica e começou a compartilhar sobre sua fé e uma tia dele se tornou cristã também. Após algum tempo, alguns de seus amigos reataram a amizade com ele. “Poucos me perguntaram mais sobre minha fé. Um deles está bem interessado e estou compartilhando bastante com ele; posso ver como ele está mudando lentamente”, alegra-se Youseff.
O jovem cristão espera em breve ter seu próprio apartamento, onde poderá levar outros cristãos para orar e estudar a Bíblia juntos. Ore por Youseff, para que ele seja um exemplo para sua família e eles vejam Jesus na vida dele. Interceda também por esse amigo que está interessado no cristianismo. Clame pela Igreja Perseguida do Marrocos, para que cresça e se fortaleça.

FONTE: https://www.portasabertas.org.br/categoria/noticias/cristao-marroquino-e-expulso-de-casa-ao-se-converter

QUARESMA

       Se você leitor me permitir, quero antes de falar sobre a QUARESMA falar sobre o Carnaval.      A origem do carnaval ainda é...