segunda-feira, 4 de maio de 2020

O MITO DA ESPADA DE DÂMOCLES




Dâmocles era um súdito da corte do rei Dionísio, que administrava o reino sem contestações. Seu poder era absoluto e sua palavra, a lei. Vangloriava-se de ser todo-poderoso e vivia submerso nas delícias e vantagens do poder. Sempre que podia, Dâmocles expressava seu sonho de um dia poder ter à mão tudo o que desejasse.

Dâmocles insistiu tanto nesse desejo que Dionísio resolveu revelar-se as angústias do poder. Convidou-o para ser rei por um dia, com direito a coroa, cetro, banquete e tudo o mais. Mandou, porém, colocar uma espada em cima do trono, presa por um fio de crina de cavalo.

Dâmocles exultou. Finalmente seu sonho seria realizado. Vestiu-se com pompa, assumiu a condição de rei e mergulhou no banquete em sua homenagem. Porém, no meio da festa, levantou os olhos e viu, sobre sua cabeça, a espada ameaçadora, que poderia a qualquer momento decepa´-lo. Engoliu em seco, ficou morrendo de medo, mas entendeu nessa hora o que são as angústias do poder.”

Os Dâmocles modernos estão sempre preocupados. Sentem-se ameaçados, tendo ou não estabilidade econômica. No trabalho, têm medo de ser demitidos. No casamento, têm medo de ser traídos ou abandonados. Se são empresários, têm medo de ser abandonados pelos clientes. Têm medo de que uma simples gripe se transforme em meningite ou outra doença séria qualquer. Têm medo de que os filhos adolescentes se tornem viciados em drogas. Vivem sobressaltados com a possibilidade de acidentes ou ataques cardíacos. E são capazes de se assustar com o simples soar de uma campainha ou telefone.

Tendem a viver exaustos, pois, além do esforço consumido para realizar seus projetos, gastam uma enorme energia para aplacar os diálogos dentro de suas cabeças. O que mais os desgasta são as preocupações. Lutam para chegar ao sucesso e, quando o atingem, surge a imagem desse sucesso acompanhada por uma espada sobre a cabeça. A espada é imaginária, mas cria nos Dâmocles a dúvida que enfraquece seu poder.

Sabe o que é esse medo? É a ausência da fé. Mais cedo ou mais tarde, o medo acaba destruindo as pessoas, pois, enquanto o amor é o coração, a fé é a coluna vertebral. É ela que nos mantém em pé, mesmo quando estamos doentes, em um leito, ou perdidos numa tempestade de problemas. Dâmocles deixou, contudo, que a espada quebrasse sua fé, pois ninguém o proibiu de retirá-la de cima de sua cabeça.


Soli Deo gloria
Pastor Flavio Constantino

sexta-feira, 6 de março de 2020

QUEIMEM OS NAVIOS



Agátocles, Tirano de Siracusa, numa expedição marítima contra Cartago, ao desembarcar, mandou queimar todos os seus próprios navios e marchou contra Cartago, cujos habitantes, derrotou. Fez isso para anular para si próprio e a seus comandados qualquer possibilidade de fuga ou de voltar atrás. Sem os navios, seria impossível recuar.

O que essa história pode nos ensinar?

Muitas vezes começamos um projeto; entramos numa nova empreitada; fazemos uma mudança forte em nossa vida pessoal e ficamos pensando no passado. Ficamos sempre com a dúvida se deveríamos ou não ter feito o que fizemos ou tomado a decisão que tomamos. Estamos sempre com um pé no cais e um pé no navio. Será que não vale a pena recuar? Não terá sido uma loucura esta decisão?

E aí, se os navios estiverem no porto a nos esperar, é muito provável que tenhamos a tentação – mais confortável e segura – de voltar, de recuar.  Mas se queimarmos os navios (do passado), não teremos como recuar. Não haverá navios a nos esperar. Teremos que caminhar, ir em frente, acreditar, lutar, vencer.

Assim, quando você tomar uma decisão, ore bastante, pense bem antes e uma vez tomada, queime os navios, ou seja, não pense mais no passado e vá em frente! Se ficarmos pensando na possibilidade de recuar, jamais empreenderemos o esforço total para vencer os desafios que por certo surgirão à nossa frente.

Lembre-se do Apóstolo Paulo em Fp 3; 13-14 “...esquecendo-me das coisas que para trás ficam, e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo...”

QUEIMAR OS NAVIOS nada mais é do que eliminar a possibilidade de retroceder.


Soli Deo gloria
         Pastor Flavio Constantino

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

ONDE ESTÃO OS HUPERETAS?



Em 1Co 4.1 Paulo diz assim: “Que os homens nos considerem como ministros de Cristo e despenseiros dos mistérios de Deus”.

Em primeiro lugar precisamos entender o sentido etimológico do termo “ministro”, para não ficarmos aquém do entendimento correto sobre o ponto de vista, a partir da ótica bíblica, sobre quem é o ministro e qual deve ser a sua forma de atuação.

Em alguns países , por exemplo, o ministro é um membro do Poder Executivo, geralmente nomeado pelo Presidente da República, por ocasião do início de seu mandato. Nesta conjuntura, a posição de ministro denota um sentido de importância e eminência. Certamente, por força do cargo, será respeitado, admirado, temido e até invejado. Trata-se de uma honra por demais elevada. Fica evidente que o uso do termo não é de domínio exclusivo das igrejas evangélicas quando denominam seus pastores de, justa e respeitosamente, “Ministros da Palavra” ou “Ministros do Evangelho”.

A palavra ministro vem do latim minus, que significa menor. Antigamente, o ministro era um simples criado. Aquele que executava as tarefas menores na casa de seu senhor. Não é sem razão, por tanto, que os pastores são, também, chamados ministros.

Paulo conceitua o ministro como um servo, todavia, o termo utilizado em I Coríntios 4.1, no original grego é “huperetas”. Literalmente significa "remador-subordinado", alguém inteiramente submisso à vontade de outrem. Tratava-se de um escravo condenado à morte, cuja única função era remar no porão mais inferior dos grandes navios romanos, do tipo Trirreme.

A Trirreme caracterizava-se por três fileiras de remos, em que cada remo era movido por um remador. Os remadores estavam escalonados e colocados de forma a que o seu movimento não impedisse o do remador mais próximo de manusear o remo. Os remos tinham entre 4 a 4,2 metros cada um.

Embora as Trirremes tivessem várias configurações e não fossem naturalmente todas iguais, podemos considerar que o tipo mais comum tinha cerca de 200 pessoas. Dessas, 170 eram tripulação e, os restantes 30, faziam parte da guarnição.

A Trirreme grega era especialmente utilizada para abalroar navios inimigos tentando, posteriormente, fazer marcha à ré. Assim, afundava-se o navio e passava-se ao navio seguinte.

A aproximação romana ao problema parece ter sido diferente, porque os romanos pretendiam não necessariamente destruir o navio inimigo, mas sim capturá-lo. Por isso desenvolveram sistemas que permitiam e facilitavam a abordagem. Por essa razão as Trirremes romanas muitas vezes tinham uma maior guarnição (até 100 homens) que os navios gregos que estavam reduzidos a um pequeno número de 30 homens a bordo.

A partir do entendimento do que era um huperetas e no que consistia sua função na trirreme, percebemos exatamente que tipo de recado Paulo pretendia dar aos crentes da igreja em Corinto, visto a arrogância e orgulho dos mesmos não condizer, exatamente, com a figura do huperetas.

Em que pese a posição de serviçal, subordinado e escravo do remador (huperetas-ministro), outras considerações devem ser feitas a respeito do mesmo:

1) O remador não o era por vontade própria, escolha ou interesse pessoal, isto lhe era imposto;

2) Não era uma profissão e, sim, uma imposição à qual não havia como resistir;

3) Considerando que antes de se tornar remador já se tratava de um condenado à morte, sê-lo dava-lhe uma opção à morte imediata. Sobreviveria mais algum tempo (quem sabe?);

4) Geralmente ficava acorrentado ao navio enquanto remava, para evitar a fuga em meio aos perigos e riscos da batalha;

5) Por conta disto, o seu destino estava irremediavelmente ligado ao do navio, se este afundasse...;

6) Devia remar em sintonia com os demais remadores, para tanto, havia alguém marcando o ritmo num tambor;

7) Remava de acordo com as ordens do capitão que estava no nível superior do navio e que, portanto, tinha a visão certa do sentido a ser tomado e, enfim;

8) Era responsável pelo movimento da embarcação, porém, os resultados e méritos da batalha atribuíam-se ao capitão.

Concluímos então que o ministério não é profissão e sim vocação. Profissão se aprende; vocação se recebe:. Os riscos são imensos. Talvez o ministro sobreviva; talvez morra em meio à batalha. O remador viveria enquanto estivesse ligado ao navio e neste fosse útil. Em certo sentido a vida do ministro está estritamente relacionada ao ministério e só nele ela tem sentido. O verdadeiro ministro vive e morre pelo ministério; nele está seu senso de utilidade. Seu amor, gratidão e todo sentimento justo para com seu Mestre se revela no esforço empreendido no ministério, com vistas a agradá-Lo.

Ministro e ministério formam um todo harmônico. Um sem o outro é improvável, inexistem, perdem a razão de ser. Estão estritamente ligados; o fim de um é o fim do outro. O sucesso de um é o sucesso de ambos. Estão acorrentados entre si; não tem como separar-se, a menos que cumpram juntos sua missão. Perecendo o ministro, perece seu ministério; sobrevivendo um, sobrevivem ambos. A proteção deve ser mútua.

Um único remador não podia mover sozinho a embarcação. O bom ministro arregimenta outros ministros para remar com ele. Reme ritmado, sincronizado com os demais. O remador, por si só, não tem senso de direção, recebe-o do capitão. Tanto a direção como a estratégia certa vem Daquele que está “acima”, no “nível superior”.

Por fim, o verdadeiro ministro caracteriza-se mais pelo resultado do seu serviço no reino de Deus do que pela posição em si (lembrando que a mesma é inferior). Deus cobra e exige resultados (Mt 25.26,27). Quando eles (os resultados) aparecem, os méritos não são do remador, mas, do Capitão. O ministro responde pelo movimento da embarcação. Se ela não está se movendo é porque ele não está remando. Talvez não esteja havendo harmonia entre os remadores da embarcação; falta ritmo, sincronismo (remar ao mesmo tempo, no mesmo sentido). Talvez não esteja entendendo as ordens do Capitão, ou, quem sabe, esteja empreendendo suas estratégias pessoais e não as Dele. Ao ministro compete pagar o preço mais elevado. Sua vida de submissão, devoção, oração, jejum, consagração, meditação e estudo da Palavra certamente colocará a embarcação em poderoso movimento de conquistas. Remando com graça e unção, cumpriremos nossa missão de huperetas-ministros de Cristo e inspiraremos outros para que também cumpram a sua (II Co 1-10; Fl 1.13,14).


Soli Deo Gloria

Flavio F Consatntino

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

BENNY HINN DIZ ESTAR ARREPENDIDO DE PREGAR TEOLOGIA DA PROSPERIDADE: “EVANGELHO NÃO ESTÁ À VENDA”




Declaração foi dada durante uma pregação, deixando os fiéis surpresos

O televangelista Benny Hinn está arrependido de pregar a teologia da prosperidade e declarou que está “corrigindo” sua teologia.

“Hoje, infelizmente, entre muitos círculos, tudo que você ouve é como construir a carne. É uma mensagem de se sentir bem… É tudo sobre ‘se sentir bem’, ‘fazer o bem’, tudo isso. Ganhe dinheiro, todo o resto. E lamento dizer que a prosperidade ficou um pouco cansativa e estou corrigindo minha própria teologia. E você precisa saber tudo”, declarou ele em uma pregação recente noticiada pela Relevant Magazine.

Benny Hinn declarou que hoje vê a Bíblia com outros olhos, diferente de como ele a viu há 20 anos. Ele declarou também que por um tempo hesitou em ir a público rejeitar estes ensinamentos para não magoar seus amigos que ainda acreditam e seguem essa teologia.

O pastor disse que hoje vê como “uma ofensa ao Senhor” dizer ao fiel doar uma alta quantia. “É uma ofensa ao Senhor, é uma ofensa dizer: ‘Dê $ 1.000’. Eu acho que é ofensa ao Espírito Santo colocar um preço no Evangelho. Para mim chega”, declarou.

A certa altura da pregação, Hinn perguntou aos espectadores: “Estou chocando você?” e continuou: “Dar tornou-se um truque que está me deixando mal do estômago”, disse ele. “E eu estou doente há um tempo também, eu simplesmente não conseguia dizer.”

O pastor de 66 anos afirmou que não quer ir para o céu e ser repreendido.

“Acho que é hora de dizermos assim: o Evangelho não está à venda”.


HOMEM TEM PARADA CARDÍACA E VOLTA À VIDA CONTANDO QUE FOI AO CÉU.



Ele entrou no Paraíso e contemplou uma atmosfera repleta da glória de Deus


O brasileiro identificado apenas como Marcus, viveu um grande milagre após sofrer uma parada cardíaca. Natural de Santa Catarina, ele e sua família moram nos Estados Unidos há um ano e foi lá que tudo aconteceu.

Membro da Igreja Luz da Vida de Balneário Camboriú, o vídeo foi compartilhado pelo pastor Charles Pereira e mostra o momento em que Marcus volta à vida emocionado, dizendo que “Deus é lindo”.

Depois, em uma chamada de vídeo, Marcus explica que viveu algo sobrenatural. Ele chegou a ir ao céu e pode falar com Deus.

“Quando eu dei entrada no hospital, Deus falou comigo. Eu entrei no Paraíso, um lugar tão lindo. Deus me mostrou o meu lugar, eu queria ficar lá, nisso Deus falou comigo que meu tempo não tinha acabado e que eu tinha que voltar. Abriu uma porta do nada e vi dois homens que me pediram pra eu voltar e então eu vi meu corpo na maca”.

Ele ainda recebeu um recado de Deus, dizendo que sua vinda está mais próximo do que nunca. É possível perceber que, ao acordar, ele chega a declarar que uma outra pessoa precisava aceitar Jesus.

Ao falar com o pastor, Marcus diz que é hora de proclamar o Evangelho. “Vamos proclamar o Evangelho de Deus, Ele mandou, vamos fazer isso”.



domingo, 17 de março de 2019

QUARESMA





       Se você leitor me permitir, quero antes de falar sobre a QUARESMA falar sobre o Carnaval.

     A origem do carnaval ainda é desconhecida. As primeiras referências a ele estão relacionadas a festas agrárias. Alguns atribuem seu surgimento aos cultos de agradecimento aos deuses pela fertilidade do solo e pela colheita, realizados na Grécia durante o século 7 a.C. A festividade incluía orgias sexuais e bebidas, e os foliões usavam máscaras e disfarces simbolizando a inexistência de classes sociais.

      As folias do carnaval também estão ligadas às festas pagãs romanas, marcadas pela licenciosidade sexual, bebedeira, glutonaria, orgias coletivas e muita música. Eram conhecidas como bacanais (em homenagem a Baco, o deus vinho e da orgia), lupercais (em homenagem ao deus Saturno, que, segundo a mitologia grega, devorou seus próprios filhos).

      Com o advento do cristianismo, a Igreja Católica Apostólica Romana começou a tentar conter os excessos do povo nessas festas pagãs e a condenar a libertinagem. Porém, com a resistência popular, em 590 d.C. ela própria oficializou o carnaval dando origem ao "carnaval cristão", quando o Papa Gregório I marcou definitivamente a data do Carnaval no calendário eclesiástico.

     Esse momento de grandes festejos populares antecedia a Quaresma, período determinado pela Igreja Católica para que todos os anos  os fiéis se dedicassem, durante 40 dias, a assuntos espirituais, antes da Semana Santa. No período que ia da Quarta-feira de Cinzas até o Domingo de Ramos, o povo deveria entregar-se à austeridade e ao jejum.

    Como o povo enfrentaria um longo período de privações e abstinência, alguns "carnais" permitiram que o povo cometesse então algumas extravagâncias antes. Às vésperas da Quaresma, os cristãos fartavam-se de assados e frituras entre domingo e a "terça-feira gorda". O que deveria ser apenas uma festa religiosa acabou assimilando os antigos costumes de libertinagem e bebedeiras.

      Esses dias de "vale-tudo" que antecedem a Quaresma, em que as pessoas ficam 40 dias sem comer carne, passaram a ser chamados de adeus à carne, que em italiano é carne vale, ou carnevale, resultando na palavra carnaval.

        A Quarta-feira de Cinzas, primeiro dia da Quaresma, simbolizava o momento em que as pessoas se revestiam de cinzas, evocando que do pó vieram e para o pó retornariam, e ingressavam no período em que a Igreja celebra a paixão, a morte e a ressurreição de Jesus Cristo.

     Visto que até hoje essa festa traz consequências físicas, morais e espirituais degradantes e estampadas nos noticiários da Quarta-feira de Cinzas, aconselho aos que não participam do carnaval que continuem de fora, seguindo o conselho bíblico em 1Jo 2.16: "Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo". Sendo assim, não convém ao cristão, mesmo a titulo de curiosidades, participar dessa festividade.

       Voltando ao tema, muitos cristãos tem rejeitado, seja por desconhecimento, seja pela imediata associação com o catolicismo romano, os ensinamentos trazidos pela correta observação do tempo da Quaresma. Contudo, esta data celebrada pela Igreja que é, em resumo, o tempo litúrgico reservado especialmente para refletirmos sobre a conversão, as doutrinas da Fé, da Graça, além de ser um momento fundamental de preparação individual e em grupo para o tempo de Páscoa. A Quaresma possui raízes muito mais profundas do que a maioria dos cristãos devotos imaginam.

    A palavra "quaresma" tem origem na junção de duas palavras oriundas do Latim, "quadragesima" (Quadragésimo) + dies (dia), fazendo, assim, referência ao tempo de 40 dias que antecedem a Páscoa. Sua celebração faz parte da história da Igreja Católica e de sua tradição. Dentro da doutrina católica esse período de quarenta dias serve, dentre outras coisas, para que o fiel faça jejuns (alguns fazem jejum de carne e de derivados de seres vivos como leite, ovos, etc. O mais comum é o jejum de carne) e observem de forma especial esses dias como dias penitenciais, ou seja, dias em que deve se penitenciar a si mesmo com o objetivo de alcançar o perdão dos pecados e se aproximar de Deus.

        A obra "A luta entre o Carnaval e a Quaresma", de Pieter Bruegel, o Velho, ilustra bem o conflito dualista humano a tensão entre o ente religioso e o desejo em excesso do prazer. A obra é uma expressão quase cirúrgica do que temos nas culturas da cristandade, a entrega desenfreada antes que a quaresma chegue ou, em outros casos, a entrega para o prazer antes que a seriedade do ano com sua rotina pesada chegue - afinal é carnaval e tudo está liberado.

         O autor ainda alerta para o paradoxo entre "natureza e graça" e "santo e profano" faz que alguns recorram a caminhos que vão desde a aparente "pureza critica", que suprime a natureza (os prazeres da carne), até a entrega absoluta e consciente para sarjeta do prazer. No entanto, ambos os casos ignoram o que há de mais precioso na vida e mais urgente em nosso meio, pois afinal, ambas as alternativas são dualistas que dividem o ser em: ora um ser moralmente religioso, ora um ser fanfarrão. O dualismo faz do sujeito então um hipócrita.

        Visto não ser um sacramento, a Quaresma não é de observância obrigatória, nem está diretamente ordenada nas Escrituras. Sendo assim, creio que a salvação é pela graça e não por obras humanas, conforme diz a Bíblia em Efésios 2. 8-9: "Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie". Devemos considerar que nenhum tipo de santificação, jejum e oração gerará qualquer mérito para que recebamos a misericórdia de Deus. Nenhuma disciplina quaresmal é capaz de nos fazer merecedores da Cruz de Cristo. A Cruz, sim, deve nos conduzir constantemente à oração, ao jejum e ao arrependimento.

          Por outro lado, a observância desse período tem como único objetivo trazer o cristão ao centro da vida cristã, enfatizando o estudo da Palavra, a oração, o jejum e a prática da caridade cristã . Evidentemente, tais virtudes não devem ser cultivadas apenas durante o tempo da quaresma como se fossem obrigações legalistas e através das quais se alcançaria o favor Divino. Muito pelo contrário. A Quaresma é o tempo propício para que o cristão reflita e retome alguns aspectos da vida cristã que podem haver sido perdidos ou enfraquecidos ao decorrer da caminhada de fé em razão da decaída natureza humana.



Soli Deo gloria

Flavio F Constantino
                 

sábado, 23 de fevereiro de 2019

ENVIE PALAVRAS DE ÂNIMO PARA CRISTÃOS PERSEGUIDOS


Escreva para Eldos, cristão ex-muçulmano que foi agredido, e para a irmã dele, que presenciou a cena de violência


O jovem cristão ex-muçulmano Eldos Satar Uluu, de 25 anos, mora em Tamchi, na região de Issyk-Kul, no Quirguistão. No dia 16 de outubro de 2018, três jovens radicais muçulmanos (Samuddin Uuly, Malik Uuly e Turusbek Uuly) invadiram a casa de Eldos para atacar seu pai, um cristão. O pai de Eldos não estava em casa, mas ele sim. Durante o ataque, os agressores tentavam reconverter o jovem ao islamismo. Os três homens foram identificados por Eldos e por sua irmã, Nurzhan, que testemunhou o ataque enquanto estava escondida em outro lugar da casa. Nurzhan estava grávida de seis meses e teve um aborto devido ao trauma causado pela situação que presenciou.

Abalado física e emocionalmente
Eldos foi levado ao hospital com um olho sangrando, traumatismo craniano grave com possível sangramento no cérebro, dentes arrancados e a mandíbula fraturada. Os médicos, inicialmente, pensaram que havia uma séria ameaça à sua vida e que morreria ou ficaria incapacitado.O jovem cristão ficou deprimido com toda a situação e chegou a ter ataques de pânico.

Agora, os parentes dos agressores ameaçam a família de Eldos e toda a comunidade cristã local de violência física, caso não seja retirada a queixa contra eles. Mesmo no hospital, Eldos tinha que ser guardado por irmãos da igreja, pois havia ameaças de um novo ataque. Por causa disso, ele foi transferido do Hospital Nacional de Bisqueque, a capital do país, para uma clínica particular. Eldos está consciente, mas sua condição física ainda inspira cuidados, bem como seu estado emocional. Ele agradece a todos que oraram por ele e reconhece: “Eu só estou vivo ainda por causa da oração de tantas pessoas, eu sinto isso. Obrigado”.

Os agressores estão em liberdade
Apesar de a polícia alegar que está investigando o caso, os parentes de Eldos e sua advogada, Zhanar Askar Kyzy, não estão convencidos disso. Os agressores foram interrogados pela polícia e condenados, mas foram soltos. Mesmo depois que a juíza Merim Akhmatova do tribunal de Issyk Kul ordenou que eles ficassem em prisão domiciliar, a polícia não fez nada para que a decisão fosse cumprida.

A advogada criticou a decisão, dizendo: “Essas pessoas são perigosas, pois ousaram até mesmo ir ao hospital para fazer mais ameaças e devem ser mantidas sob custódia”. A juíza, por sua vez, afirmou: “Eu tomei minha decisão porque as acusações contra os réus permitem tal restrição”. Ela se negou a discutir mais o caso.

Escreva para Eldos e sua irmã
Você tem a oportunidade de se colocar ao lado desses irmãos em oração e de forma prática. Escreva um cartão com imagens e palavras de ânimo para encorajá-los, fazendo-os saber que a igreja brasileira está orando por eles e que o socorro virá do alto. Envie seu cartão até 18 de março e fortaleça-os com suas palavras.

Fonte: https://www.portasabertas.org.br/categoria/noticias/envie-palavras-de-animo-para-cristaos-perseguidos


O MITO DA ESPADA DE DÂMOCLES

Dâmocles era um súdito da corte do rei Dionísio, que administrava o reino sem contestações. Seu poder era absoluto e sua palavra, a le...