sábado, 20 de março de 2010

Estranhas Expressões ( Parte I )



Alguns anos atrás, fui surpreendido por uma carta de uma igreja que me convidava para “ministrar” num congraçamento de jovens sobre o tema “louvor profético”. As expressões “ministrar” e “louvor profético” chamaram a minha atenção pela maneira enfática como foram utilizadas.

A magia das palavras na comunicação neopentecostal, bem como em algumas igrejas pentecostais clássicas que têm aderido tais costumes, tem criado as mais dantescas combinações. O caso do “louvor profético” é um desses equívocos. Á luz da Bíblia, o que chamam de “louvor profético” é apenas louvor, pois nada de profético há nas suas letras, a não ser a repetição, quando acontece, de um texto profético não contextualizado. O louvor para ser profético, deve retratar, por exemplo, os males e problemas da América Latina: a fome, a miséria, a violência estrutural, meninos de rua, a favelização e a moral dos excluídos, a disparidade entre os ricos e os pobres, a concentração de renda etc. A profecia, através do louvor, seria algo magnífico, se pudesse expressar, em canções, a denúncia, a esperança e a intervenção do reino de Deus no mundo. Ou seja: o nosso cântico seria realmente profético se as nossas letras resultassem da nossa própria experiência no espaço existencial do conflito, da tensão e da opressão em que vivemos. De acordo com a Bíblia sagrada, a profecia tem dois objetivos principais: denunciar o opressor e consolar o oprimido.

Mas o que parece um inofensivo estímulo verbal ou apenas uma maneira de falar configura-se, hoje, como paradigma e estereótipo da liturgia neopentecostal: uma maneira de manter “candente” as reuniões.

Tudo isso se afigura como resultado dos movimentos de revitalização espiritual que vêm sacudindo o Brasil nestas últimas três décadas. São mudanças litúrgicas que oferecem aos seus participantes – na maioria jovens – uma nova modalidade de combater as forças do mal. Posto que essas práticas pareçam absolutamente inócua, vêm criando reações espirituais comprometedoras, além de deixarem as pessoas reféns de tais circunstâncias. O grave nisso tudo é que esses grupos não param de crescer e criam o patológico com abrangências extremamente destruidoras de psiquismos que se alteram a partir da idéia de que há magia nas palavras.

Esta estranha maneira de ser de alguns dos nossos cultos está neurotizando multidões que aprendem essas “expressões de poder”, mas se esquecem que o poder do cristianismo está na sua simplicidade.

Um comentário:

  1. A PAZ DO SENHOR,A PURA VERDADE PESSOAS SE ESCONDENDO EM EXPRESSÕES DE PODER,E SEM PODER NENHUM.
    FICA NA PAZ!!!

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