segunda-feira, 22 de março de 2010

Estranhas Expressões ( parte II )




A cultura da emoção tomou o lugar do cerebral nos nossos cultos. A palavra de Deus precisa rapidamente voltar a ser o referencial de confrontação com o estilo de vida que a sociedade atual tenta nos impor.

Essas coisas estranhas que vêm acontecendo nos arraiais evangélicos assustam tanto que até nos fazem duvidar de que possam estar vindo de um contexto cristão. São expressões antológicas cheias de magia e superstição. Alguns usam isso como bordão incandescente para criarem reverberações arrebatadoras. Segundo Karen Armstrong no seu livro “Em nome de Deus”, precisamos fazer, sem paixão, a nossa opção ou pelo mythos ou pelo logos, ou seja, se vamos ficar com a superstição ou com a palavra. A utilização desses jargões cristãos tem baixado o nível do nosso discernimento. E, por conta disso, alguns fenômenos dantescos ocorrem à larga, em nossas reuniões.

Não dá para conceber um culto que começa com o habitual exorcismo “eu amarro toda a força contrária em nome de Jesus”, em tom de autoridade sobre as forças do mal. Evidentemente, isso beira a bruxaria e não a culto evangélico.

Normalmente, nos cultos em tempos memoráveis invocava-se o nome de Jesus, sem outra preocupação, mesmo porque acreditamos que Deus é maior do que todas as coisas. As pessoas, no culto, devem se ocupar em apenas conhecer o Senhor e invocá-lo.

O que mais impressiona nisso tudo é que, outrora, as pessoas tinham por meta ouvir a palavra de Deus para pensá-la e praticá-la. Hoje, nossos cultos precisam de uma grande dose de fetiche, somada a um tipo de auto-ajuda: receita médica para ser feliz.

Os bordões mais utilizados hoje, como expressão de espiritualidade, são: “Eu quero ministrar sobre você”, ou: “Eu profetizo sobre sua vida”, como se isso pudesse trocar a atitude cristã que abençoa as pessoas não com palavras, mas com ações abençoadas.

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