quinta-feira, 4 de março de 2010

A Parábola do Trigo e do Joio



"Propôs-lhes outra parábola, dizendo: O Reino dos céus é semelhante ao homem que semeia boa semente no seu campo; mas, dormindo os homens, veio o seu inimigo, e semeou o joio no meio do trigo, e retirou-se. E, quando a erva cresceu e frutificou, apareceu também o joio. E os servos do pai de família, indo ter com ele, disseram-lhe: Senhor, não semeaste tu no teu campo boa semente? Por que tem, então, joio? E ele lhes disse: Um inimigo é quem fez isso. E os servos lhe disseram: Queres, pois, que vamos arrancá-lo? Porém ele lhes disse: Não; para que, ao colher o joio, não arranqueis também o trigo com ele. Deixai crescer ambos juntos até a ceifa; e, por ocasião da ceifa, direi aos ceifeiros: colhei primeiro o joio e atai-o em molhos para o queimar; mas o trigo, ajuntai-o no meu celeiro."

Talvez esta parábola, de todo o Novo Testamento, seja a que padeça mais de interpretações distorcidas e aplicações erradas. Isto acontece porque temos sido extremamente taxativos, arbitrários e algumas vezes reticentes em nossa hermenêutica. Ou seja: o que é a nosso favor tem sempre algum versículo bíblico para nos amparar; o que é contra nós, no entanto, dizemos não ter amparo bíblico.

Este comportamento que a maioria tem em relação aos textos bíblicos vem nos distanciando de verdades absolutamente indispensáveis ao viver cristão. Um exemplo clássico disso é a interpretação que até aqui tem sido feita sobre a parábola do trigo e do joio, que vem sendo normatizada por uma visão extremamente estreita, preconceituosa e anacrônica da hermenêutica bíblica. Por isso faço aqui algumas ponderações sobre esta parábola:

Em primeiro lugar, a parábola do joio e do trigo não deve ser utilizada para enquadrar o comportamento de qualquer irmão ou seguimento evangélico que achamos descaracterizado, porque, em tese e até que se prove o contrário – neste caso particular, só Deus pode julgar – todos nós podemos ser joio ou trigo; ninguém sabe: só Deus.

Em segundo lugar, a parábola não deve ser interpretada como se o “joio” representasse o “não convertido” e o trigo “o crente fiel e verdadeiro”; isto porque o objetivo da parábola não é dividir a igreja ou a sociedade humana em dois grupos: bons e maus, mas, sim, advertir a todos os homens em todas as épocas, que ninguém deve estabelecer juízo de valor sobre ninguém de forma definitiva, conclusiva e absoluta a partir de algo tão-somente aparente ou julgar a subjetividade de quem quer que seja, pois isto não é da alçada humana. À luz do ensino de Jesus, só Deus pode julgar tal situação e isto acontecerá efetivamente na consumação de todas as coisas.

Com estas palavras introdutórias, observamos nada menos que cinco advertências vigorosas feitas por Jesus aos que ousam julgar alguém de forma vulgar, preconceituosa, mutiladora e, na maioria das vezes, definitiva.

1 – A primeira advertência de Jesus feita através da parábola do trigo e do joio é que sempre há um poder hostil no mundo querendo destruir a boa semente. A experiência nos diz que ambas as influências atuam sobre nossa vida: a que ajuda a semente da Palavra de Deus a crescer e dar fruto e a que trata de destruir a boa semente antes que possa produzir algum fruto. A lição que nos dá a vida é que sempre devemos estar atentos.

2 – Em segundo lugar, a parábola nos adverte que ninguém sabe quem está no reino de Deus e quem não está. Um homem pode parecer bom mas ser mau. O outro pode parecer mau quando na realidade é bom. Pode ser – e o é de fato – que nos apressemos em demasia a classificar alguém e etiquetá-lo como bom ou mau, sem levar em conta todos os fatos ligados a ele, por total falta de conhecimento.

3 – Em terceiro lugar, a parábola nos admoesta a não sermos apressados em nossos juízos. Se os semeadores atuassem por conta própria arrancando o joio o resultado funesto seria que o trigo sairia com ele. O juízo devia esperar até a época da colheita. No final, ninguém será julgado por um ato ou uma fase particular de sua vida, senão por sua vida inteira. O juízo só pode ser estabelecido no final de todas as coisas. Isto porque alguém pode cometer um erro grave e redimir-se e, pela graça de Deus, expiar o pecado convertendo todo o resto de sua vida em algo formoso. Alguém pode viver uma vida honrada e, ao final, arruiná-la com uma queda repentina no pecado. Ninguém que veja uma só parte de algo, pode julgar a totalidade, e ninguém que só conhece uma parte da vida de alguém pode julgá-lo totalmente.

4 – Em quarto lugar, a parábola nos adverte que o juízo chega no final. O juízo não se apressa, mas chega. No final a separação de maus e bons acontece. Pode ser que do ponto de vista humano pareça que um determinado homem escape das conseqüências de seus atos, mas há uma vida futura. Pode ser que do ponto de vista humano pareça que a bondade nunca é recompensada, mas há um mundo novo que corrige a justiça do velho.

5 – Em quinto e último lugar, a parábola nos adverte que a única pessoa que tem direito de julgar é Deus. Deus é o único que pode discernir entre o bem e o mal. Deus é o único que vê o homem por inteiro. Deus é o único que pode julgar. De maneira que, em última instância, nesta parábola há dois elementos: uma advertência para que não julguemos quem quer que seja, e a segurança de que, no final, o juízo de Deus há de se manifestar.


Conclusão:

A razão da advertência de Jesus contida na parábola em tela tem as suas razões pertinentes, a saber: a) nenhum ser humano é bom o suficiente para julgar outro ser humano; b) ninguém pode lançar juízo temerário, absoluto, aleatório e final sobre quem quer que seja, porquanto não sabemos o que realmente está no coração da pessoa que julgamos e c) é quase sempre impossível julgar alguém de maneira absolutamente imparcial.
Julgamento humano à parte, o texto assevera que só Deus pode julgar o homem, pelo fato de que só Ele tem o poder de sondar (virar do avesso) o coração do homem (Sl 139).





6 comentários:

  1. Graça e paz!
    Vim conhecer seu Blog e quero te parabenizar pela bênção que pude ver aqui.
    Já estou seguindo.
    Venha dar a honra de sua visita no PASTORAGENTE.BLOGSPOT.COM e, se quiser seguí-lo, vai ser uma alegria para mim.
    Lá eu exponho da forma mais realista e divertida possível as situações, dúvidas e experiências de uma simples pastora como eu.
    Fique na paz e o Senhor abençôe você e toda sua família.
    Abração!!!

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  2. A paz,tb
    Gostei do teu espaço.
    http://pastoresnetwok.ning.com | http://prceliolima.blogspot.com

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  3. Shalom!

    Amado Pr Fábio, uma alegria conhecer seu blog. O Eterno resplandeça o rosto Dele sobre ti, sua família e o ministério que Ele te confiou.

    Temos um amigo e irmão em comum: o nobre Pr. Carlos Roberto Silva.

    Medite no Sl 36.8,9

    Nele, Pr Marcello

    Visite: http://davarelohim.blogspot.com/

    e veja o texto: As hesitações de Pilatos

    P.s>>> Se o irmão se identificar com o blog, torne um seguidor. Será uma honra!

    Grato.

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  4. Querida irmã,

    A Paz do Senhor,

    Fico feliz por sua visita. Gostei muito do seu blog.

    Um grande abraço,

    No Amor de Cristo,

    Pastor Flavio Ferreira Constantino.

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  5. Querido Pastor Célio,

    A Paz do Senhor,

    Visitei o seu blog e já estou seguindo. Que Deus te abençoe muitíssimo.

    Um grande abraço,

    No Amor de Cristo,

    Pastor Flavio Ferreira Constantino.

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  6. Querido Pastor Marcello,

    A Paz do Senhor,

    Com certeza temos um amigo em comum: Pastor Carlos Roberto.

    Desde já agradeço a sua honrosa visita em nosso blog. E já tenho seguido o blog do amado pastor.

    Meditei no texto deixado pelo irmão. Muito obrigado.

    Um grande abraço,

    No Amor de Cristo,

    Pastor Flavio Ferreira Constantino.

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