sexta-feira, 14 de maio de 2010

Política e Igreja ( final )


A vida política, a organização cívica das multidões judaicas, seus fardos, sua opressão...dependiam muito menos do Império Romano e muito mais da teologia que reinava nos grupos de escribas e fariseus. Eles, e não o Império, impunham fardos intoleráveis aos fracos...estabelecendo assim a verdadeira estrutura sócio-política de Israel. Nesse sentido, a contra teologia de Jesus era muito mais política do que qualquer declaração ou ato contra o Império Romano.

Além disso, as lutas dos zelotas não tinham absolutamente nada a ver com verdadeira libertação. Eles estavam lutando por nacionalismo judaico. A verdadeira libertação significa assumir a causa do homem como homem. Amar os inimigos é viver em solidariedade com todos os homens e assumir a causa do homem como homem.

A revolução que Jesus queria realizar – se assim pode ser chamada – era muito mais radical do que qualquer coisa que os zelotas, ou qualquer outro, pudessem ter em mente. Todos os aspectos da vida, político, econômico, social e religioso, eram radicalmente questionados por Jesus e virados de cabeça para baixo. Ele mostrava que nas idéias contemporâneas sobre o que era certo e justo, não havia amor, e que, portanto, eram contrarias à vontade de Deus.

Encontramos exemplos disso na parábola dos trabalhadores da vinha (Mt 20.1-15) e na parábola do filho prodigo (Lc 15.11-32). Os trabalhadores que “suportam o peso e o calor do dia” reclamam porque outros receberam o mesmo pagamento por apenas uma hora de trabalho. Parece tão desonesto e injusto, e até mesmo tão contrario à ética. Mas não é. Um denário é pagamento justo por um dia de trabalho, e eles tinham concordado com isso. Mas o patrão, como Deus, tinha sentido compaixão pelos muitos desempregados que ele encontrou na praça, e movido por verdadeira preocupação com eles e suas famílias, ele os tinha contratado para o resto da vida, pagando um salário que não era proporcional ao trabalho feito, mas sim proporcional às suas necessidades e às necessidades de suas famílias. Aqueles que tinham trabalhado o dia inteiro não participam da compaixão que o patrão sente pelos outros e por isso reclamam. Sua justiça como a “justiça” dos zelotas e dos fariseus não tem amor. Eles tem inveja da boa sorte dos outros e, como Jonas, lamentam a compaixão e generosidade de Deus para com os outros.

De modo semelhante, na parábola do filho prodigo, o filho mais velho, que tinha trabalhado fielmente para seu pai “durante todos esses anos”, e que nem uma vez desobedeceu às ordens de seu pai ( como os zelotas e os fariseus ), fica indignado quando ouve dizer que o pai mandou matar o novilho gordo e está preparando uma festa para seu irmão pecador. O filho mais velho não participa da compaixão que o pai sente pelo filho perdido. Por isso ele sente que seu pai está sendo injusto.

Se tivermos que empregar categorias como a política e a religião, e se tivermos que usá-las no sentido que em geral tem hoje, teríamos que dizer que Jesus não criticou os zelotas por serem políticos demais; Ele os criticou, bem como os fariseus e os essênios, por serem religiosos demais. Era o fanatismo religioso que levava os fariseus a perseguirem e oprimirem os pobres e pecadores. O ódio dos essênios contra os judeus impuros era ódio de inspiração religiosa.

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