segunda-feira, 5 de abril de 2010

Caminhos diferentes em uma única estrada (parte I)


Eu queria que você pensasse comigo na parábola do bom samaritano. O que a gente tem ali é um caminho, uma estrada, que ia de Jerusalém para Jericó, mesma estrada, está fixa lá até hoje. Você pode fazer o caminho romano antigo dos dias de Jesus até os dias de hoje, ela esta lá, com pedras daquele tempo, com cenários que não mudaram, uma estrada. Aí Jesus disse que, naquela estrada aconteceu uma coisa que envolveu cinco pessoas. Uma mesma estrada, cinco caminhos diferentes. Um mesmo chão que virou chão diferente de acordo com a diferença da caminhada de cada um:

O primeiro indivíduo que a gente encontra naquela estrada é um homem honesto, que saiu de casa e foi trabalhar. E no caminho para levantar o sustento para a vida, uma tragédia o acometeu. E ele foi deixado - largado, caído, assaltado, ferido, roubado, depravado e privado dos seus bens e do que tinha - ali abandonado. Caminho de um homem honesto roubado e largado na estrada.

O segundo homem nessa história, nessa estrada, é aquele que encontra o honesto que vem andando, querendo levantar o sustento para levar para casa e o assalta. Mesma estrada, um segundo caminho, caminho de violência, de expropriação, de covardia, de aproveitamento, de roubo, de engano. Mesma estrada, um homem honesto caído, um assaltante que se aproveitou da vida dele, e fez o seu próprio caminho.

O terceiro homem, um sacerdote, mesma estrada um terceiro caminho. O sacerdote vem e olha o homem, passa de largo, segue o seu caminho, caminho da indiferença, o caminho da incapacidade de se solidarizar, o caminho daquele que tem a sua agenda tão definida, que não tem espaço para qualquer parada. Esse é, sobretudo, o indivíduo que achava que a finalidade de cultuar a Deus num lugar sagrado, cumprindo uma liturgia, lhe era mais importante do que a parada para exercer a misericórdia com aquele que estava ali deitado. Uma mesma estrada, um outro caminho.

O quarto homem que passa na mesma estrada, um levita. Ele viu o sacerdote passar e não fazer nada, e não fez nada também. Assumiu o caminho da omissão homicida, largou o indivíduo, fez que não viu, alienou-se, ligou o botão do auto-engano e se foi, insensível e impermeável.

O quinto homem era um samaritano considerado herege pelos judeus, abominado pelo sacerdote e pelo levita. Mas ele passa e ele olha, e ele vê e ele se abaixa, ele socorre, ele cuida, ele trata as feridas, derrama sobre elas óleo e vinho. Cuida do indivíduo e o leva e o coloca numa estalagem e diz para o estalajadeiro: "Eu estou deixando aqui dinheiro, e se não for o suficiente, bota tudo na minha conta, porque quando eu passar de volta eu vou quitar tudo".

*O que significava a estrada para cada um deles?

A estrada para o primeiro homem: era um meio de vida e ele caiu nela;

Para o segundo homem: era um meio de se aproveitar dos recursos do outro, era o caminho do aproveitamento e do engano;

Para o terceiro homem, o sacerdote: era apenas uma estrada banal, aonde o que quer que aconteça não lhe dizia respeito, porque ele era um desses indivíduos que se deslocava de um ponto para o outro e o que acontece no meio para ele não existe, ele é indiferente à vida;

O outro é omisso: ele sempre olha para quem ele acha que lhe é superior na hierarquia, e diz: "Se ele não fez, porque que eu tenho que fazer";

E há um aqui, para quem o caminho é o lugar de misericórdia: é o lugar onde a graça pode se manifestar e aonde o amor de Deus pode ser encarnado. Uma única estrada com caminhos diferentes. Isso nos ajuda entender e a discernir uma coisa fundamental para nós hoje: O caminho é chamado à existência pelo modo como eu ando.

Um comentário:

  1. Olá Pastor... entrei aqui apenas pra deixar como comentário uma curiosidade: Meu nome é Flávio Constantino, tenho 36 anos de idade, moro em Cianorte-PR. Trabalho com Assessoria Previdenciária. Me mande um email pra estabeler-mos contato, pois não é todo dia que encontramos alguém com o mesmo nome, e idade. Abraço (flavioconstantino@hotmail.com)

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