terça-feira, 6 de abril de 2010

Caminhos diferentes em uma única estrada (parte II)




COMO FAZER NOSSO CAMINHO NA ESTRADA?

1- Em primeiro lugar, ter um ser enternecido. Gente amargurada, vai pisar em chão de amargura, qualquer que seja o caminho.

2- E, em segundo lugar, o salmo ensina que qualquer que seja a estrada pode virar caminho bom e caminho de Deus, se eu ando com a segurança de quem, se sabe, sendo capaz de encontrar repouso, refúgio, agasalho, apenas em Deus. Olha o que diz o Sl 84.3 “Até o pardal encontrou casa, e a andorinha, ninho para si e para sua prole, junto dos teus altares, Senhor dos Exércitos”.

3- E além disso, qualquer estrada vira caminho de vida, quando eu levo em mim a atitude de quem transforma vales áridos em mananciais. Olha o Sl 84 versos 5 e 6: "Bem-aventurado o homem cuja força está em ti, em cujo coração se encontram os caminhos aplanados, o qual passando pelo vale árido faz dele um manancial, de bençãos o cobre a primeira chuva". Esse vale árido, lá no texto hebraico é chamado de vale de Baca, uma das alusões a ele está lá no livro de Juízes, quando se diz que o povo chorou em Boquim, depois que tinham pecado contra Deus e o anjo do Senhor veio e falou com eles face a face e eles choraram muito e chamaram aquele lugar de Boquim. É daí que vem a derivação para o Baca. Ele diz que bem-aventurado é aquele que passando pelo vale de Baca faz dele um manancial. 'Vale de Baca' era o vale de lágrimas, é o lugar aonde os chorões cresciam e crescem. Até hoje das imediações de Jerusalém, quando você chega no vale de Efraim, você ainda vê uma quantidade enorme de salgueiros e de chorões e também de árvores que derramam uma resina, daí o nome ter sido vale das lágrimas também, tanto por causa da ocorrência no livro de Juízes, como também por causa desse significado vegetal de um lugar aonde as plantas choram. O caminho para o templo passa por ali, que é também vale dos gigantes, vale de Efraim. E se diz: Bem-aventurado é homem que passando pelo vale de Baca, o vale árido, faz dele um manancial, de bençãos o cobre as primeiras chuvas. Mesma estrada, mas o caminho pode ser diferente. Estou dizendo isto porque eu fico chocado com o fato de que todos os dias eu ouço gente dizendo que é de Jesus e que está no caminho, mas você olha para vida do indivíduo... E isso não tem nada haver com ter, com possuir, com adquirir, com crescer do ponto de vista material. Tudo isso é "bobajada" que vem sendo ensinada por nós e para nós nas ultimas décadas. Todo essas coisas tem o seu lugar mínimo e Jesus disse que se nós nos atrelarmos muito a elas, corremos o risco de perder a alma e o coração. Elas estão ao nosso serviço e não nós serviço delas, e muito menos tendo-as como bens do nosso ser. Fazer isso é caminho de destruição. Andar no caminho tem que produzir resultado. Se eu não puder ser de Jesus e na hora de passar no vale árido, no vale de Baca, no vale de lágrimas, transformá-lo num manancial, que fé é essa que me anima? Que caminho é este? Se eu não puder enfrentar a dor, a perda, a lágrima, com um bálsamo da Graça de Deus. Se eu não puder ter dentro do coração: a visão, a imagem, a fé, a certeza, a esperança de que eu posso cavar poços no deserto, porque Deus na sua Graça vai enchê-los, vai chover sobre eles, a minha estrada vai ser sempre uma estrada de morte, de amargura, de frustração, de decepção, de perda, nunca será caminho de vida, jamais.

4- A estrada vira caminho de vida também, quando eu levo em mim a consciência da mutualidade como mandamento da jornada. Ou seja, eu não estou andando só, eu preciso de você, e você de mim, é nessa troca que a gente vai. É um ajudando o outro. Nesse caminho, infelizmente, o que a gente mais encontra é um passando a perna no outro, julgando o outro, medindo o outro, avaliando o outro, por isso que não é caminho, é só estrada. O que a gente precisa admitir é que a maioria de nós não está no caminho, a gente está na estrada da religião, e na estrada da religião é assim olho aberto. Agora nós estamos falando de percurso, e no percurso "um ao outro ajudou e ao seu próximo disse: Sê forte!" No percurso um levanta o outro. No percurso a gente não quer saber quem é o indivíduo caído, a gente só quer saber que ele está caído. No percurso o samaritano é o herói da história do amor fraternal. E ele não faz perguntas. No percurso não existe discussão religiosa, no caminho de vida ninguém diz: "Você aceita Jesus antes de eu lhe fazer este bem?". No percurso ninguém diz: "Os assaltantes o assaltaram porque você não estava com o anjo do Senhor acampado ao seu redor". No percurso ninguém diz: "Olha se você fizesse a confissão positiva e dissesse: Eu declaro bandido, tu estás amarrado. Ele não teria te assaltado". No percurso a gente levanta, a gente se dobra, a gente cuida, a gente não faz perguntas, a gente carrega, a gente leva. No percurso não tem proselitismo, não tem prosa, não tem conversa fiada, tem ação, tem amor, tem misericórdia, tem graça, tem vida, tem gesto.

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