sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Filhos de Balaão - Por Rev. Paulo Cesar Lima da Silva


O acordo do Vaticano com a Corte Portuguesa – na época da colonização do Brasil – foi nesses termos: “Vocês (a Corte) nos dão segurança e em troca nós (a Igreja) daremos a vocês UM POVO OBEDIENTE". Até hoje a Igreja e o Estado mantêm esse tipo de relação.

A “doutrina de Balaão” acerca da qual a Bíblia fala é a mais clara forma de revelar como a religião (desde os sumerianos) sempre foi o braço de apoio, sustentação e manutenção do poder político. Os "sacerdotes" dispunham de muita riqueza e os templos serviam de arrecadadores de dinheiro. Na verdade, nada mudou na história; é só uma repetição. Por isso a igreja, hoje, segue o mesmíssimo padrão.

A igreja, no passado, adaptou a teologia à visão do poder para levar vantagens deste mesmo poder que ela idealizava. Por exemplo, quan­­do se vivia sob o governo mo­­nárquico a igreja utilizou-se da “teologia do Cristo Rei”, para que parecesse com a majestade da realeza. Quando os princi­pados políticos começaram a sobressair na Europa na Idade das Trevas, a igreja criou a “teo­logia do príncipe que governa”, dizendo se tratar da represen­tação do “filho de Deus”. Quan­do a República chegou e as manifestações de poderes de­mocráticos, na mesma hora houve uma migra­ção da consciência teocrática que habitava por assim dizer o rei na terra para a consciência democrática, que passava ago­ra habitar a vontade do povo na terra. (É aqui que se faz a migração da teologia da soberania de Deus para a teologia do livre arbítrio.) E a teologia do livre arbítrio instala uma política democrática.

O que eu estou tentando dizer para o leitor é que não faltaram teologias para justificar qualquer ideologia. E nesses mais de dois mil anos de história da igreja vemos a ca­pacidade afiada dos nossos mestres ideólogos de manobrar “deus” na direção da sua conveniência. Quando eu coloco “deus” com “d” minúsculo é porque estou falando deste deus manobrado, um “deus” que nem Deus co­nhece; é o deus inventado, é o “deus” formatado segundo a conveniência dos que dançam conforme a música tocada pelo poder.


A Bíblia diz:

"...algumas coisas tenho contra ti; porque tens aí os que seguem a doutrina de Balaão, o qual ensinava Balaque a lançar tropeços diante dos filhos de Israel, intro­duzindo-os a comerem das coisas sacrificadas a ídolos e a se prosti­tuírem."

Salvo melhor juízo, este é o texto bíblico mais denso para mostrar o poder corruptor que vem operando dentro das igre­jas brasileiras (quero falar ape­nas das nossas, mas certamente este fenômeno encontra-se em outros países).

A figura híbrida de Balaão nas Escrituras salta os olhos, porque não é profeta de nenhuma linhagem dos hebreus, mas mesmo assim tem uma projeção tamanha, trazendo a si homens poderosos que o procuram para facilitar coisas do poder.

 A impressão que eu tenho é que a semelhança do comportamento de Balaão é enorme quando comparado aos nossos profetas atuais. Parece-me que nós estamos na “Era Balaão”, onde as coisas mais esquisitas acontecem nos púlpitos de nossas igrejas, nas casas, nas ruas, nos escritórios de magna­tas, nas salas de espera de políticos. Comumente eu vejo, ouço de pessoas sobre algumas coisas que estão ocorrendo no meio evangélico e que se asse­melham e muito a relação de poder entre Balaão e Balaque.

Balaão foi observado pelo rei de Moabe, Balaque, talvez meses a fio. Balaque, vendo o desempenho do povo de Israel que era tangido por um poder supra terreno, imaginou que podia ter essa mesma força para as suas conquistas e viu em Balaão alguém que podia ter como parceiro. Oferecendo a Balaão mundo e fundos Balaque lhe pediu que amaldiçoasse o povo de Deus. Balaão, profeta vendido e sem caráter, pronta­mente aquiesceu ao pedido.

Pastores, igreja, essa história faz parte da nossa história hoje. Nós nos tornamos “filhos de Balaão”. Isso é a corrida atrás de ouro. Os líderes evangélicos precisam de uma descontaminação. Seus referenciais cristãos já não existem mais. Estamos vivendo os dias de Balaão: quem dá mais nós fechamos.

Anos atrás não faltaram pastores para abençoar o moço de Brasília com vistas a que ele se tornasse o presidente do Brasil. Aliás, hoje é importante para o candidato político ter um Bala­ão por perto para abençoá-lo na frente do povo. Isso é uma tragédia de proporções alarmantes. Temos ainda líderes que se vendem para dois ou três candidatos, pegando dinheiro dos três.

Balaão se perfilhou para dizer palavras de maldição so­bre Israel, mas Deus interveio e mandou que ele dissesse ape­nas o que lhe comunicava e, em vez de ele amaldiçoar Israel, ele o abençoava. Como ele viu que Israel era inamaldiçoável, ele recorreu a outro expediente: levou o povo a achar que não havia nada de mais ser povo de Deus e se prostituir. Assim o povo de Israel caiu na cilada de Balaão. Será que esta história de Balaão não corresponde a algumas de nossas atitudes hoje como líderes e membros da igreja do Senhor Jesus? Será que esta história bíblica não reverbera em nossos ouvi­dos um alerta contra o caminho de corrupção que alguns líderes de igrejas vêm tomando?


UMA LIDERANÇA DOENTE

Estamos doentes e se trata de uma doença contagiosa. À semelhança da Idade Média, estamos matando os “gatos” e deixando que os "ratos" espalhem a peste entre o povo.

Não há o mínimo de moralidade na política evangélica. Ela segue a mesma direção que a política secular. Pior: tudo é feito debaixo de muito cinismo e conveniência. Tornamo-nos vendedores de bênçãos, negociadores de almas, leiloeiros da fé, comprometidos até o último fio de cabelo e ainda somos capazes de subir a um púlpito e pregar santidade, coerência e verdade. Outros há que se fazem paladinos da verdade, representantes dos evangélicos no Brasil, mediadores entre o povo e o poder. Isso é brincar com fogo e com coisa séria.

Precisamos hoje mais do que nunca discernir as principais doenças da igreja e a cura que lhe é proposta na Bíblia, a Palavra de Deus. Não para que ela seja a salvação do mundo, mas que a igreja (os sete mil que não se dobraram a Baal e a Balaão) faça o seu papel profético e seja um agente de transformação histórica no mundo.

O que é mais chocante nisso tudo é que não é de hoje que a igreja negocia com o poder. Deixamos escapar a TDL, que nasceu nos porões de uma igreja evangélica, transformando-a numa "grande prostituta". Se tivéssemos refletido sobre esta teologia e o seu alcance no que diz respeito às mudanças propostas nos rumos da igreja brasileira, certamente teríamos, hoje, uma leitura crítica da política e da sociedade e o Brasil passaria por grandes transformações.

Líderes, igrejas, o mundo ouve a voz de Deus, mas quan­do se volta para olhar – e essa é a primeira coisa que ele enxer­ga – nos vê. Por isso que a nossa responsabilidade é enor­me. Porque quando a voz é ouvida o sujeito olha é a gente. Não se deixe ver como um “filho de Balaão”. Seja um Elias nesta geração, profeta que preferiu seguir um caminho de denúncia profética a ter os prazeres momentâneos do poder.

Que Deus tenha misericórdia de nós!

Rev. Paulo Cesar Lima
Presidente da CATEDRAL da Assembleia de Deus em Jardim Primavera e da CMADERJE

Um comentário:

  1. Meu nome é António Batalha, estive a ver e ler algumas coisas de seu blog, achei-o muito bom, e espero vir aqui mais vezes. Meu desejo é que continue a fazer o seu melhor, dando-nos boas mensagens , e falando daquilo que Deus tem feito em sua vida, que a graça e a paz de Jesus continue a ser derramada em sua vida, e o fogo do Espirito Santo continue a usar sua vida.
    Tenho um blog Peregrino e servo, se desejar visitar ia deixar-me muito honrado.
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    Deixo a minha benção e a paz de Jesus.

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