terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Cair no Poder - O Que é Isso? - por Rev Paulo Cesar Lima da Silva


O modismo, como todos os demais – a verdade manda que se diga – não durou muito tempo para se tornar prática obsoleta. A voracidade com que alguns embarcaram neste erro, que é uma reincidência de alguns modismos que por aqui já passaram ao longo de toda esse período de dominação religiosa anglo-saxônica, foi algo enlouquecedor. Com os nomes modificados para não passar a idéia de plágio ou coisa parecida, os enlatados estrangeiros, que até aqui só serviram para entreter e desviar a atenção das coisas realmente importantes, chegaram, como sempre, com a marca de um famoso evangelista, contendo os mais variados nomes, a saber: “Fanerosis” (no grego, manifestação), “Cair no Poder”, “Cair no Bálsamo”, “Repouso no Espírito”, “Arrebatamentos Espirituais” e “Sono no Espírito”.

O modismo das “quedas” e “prostrações” se alastrou pelas igrejas afora com um nível assustador de audiência e aderência.

Os “tombos”, já previstos e programados, eram conduzidos com muita “ordem” e “tom de profunda espiritualidade”: a pessoa é chamada à frente, recebe imposição de mãos, algumas palavras lustradas e, pronto, está no chão.

O hilárico disso tudo é que o elemento que vai ao chão cai sabendo que vai cair e terá aterrissagem perfeita e garantida.

Eu não estou sendo exagerado ao falar sobre o assunto desse modo, mas tudo isso me causa espécie, por ser uma conduta apelativa e causadora de males irreparáveis, respeitando, é lógico, o fato de que algumas pessoas buscaram a experiência com a melhor das intenções.

Perguntar se essa prática é bíblica ou não parece estar fora de propósito para muitos. Eu diria que a maioria dos propagadores deste modismo sequer desejou discutir o assunto sinceramente, à luz das Escrituras Sagradas, pois temia perder um número substancial de adeptos. Digo mais: esta prática foi um verdadeiro acinte contra aqueles que estão lutando na obra de Deus na preservação da pureza e da verdade.

Suponho que algo está faltando em nossa busca de meios para renovar a igreja. Infelizmente, temos tido mais sucesso em oferecer diversões momentâneas ao nosso povo do que uma renovação contínua da Igreja, através do que é essencial.

Muitos estão aplicando o nefasto princípio roboônico aos seus métodos de renovação: “Não tem ouro, vai prata mesmo”. Ou seja: “quem não tem cão, caça com gato”.



UMA ANÁLISE BÍBLICA

Primeiramente, devemos saber que esta postura trata-se apenas de um arquétipo religioso que possui cada pessoa e não uma ordem divina para a adoração. Segundo, é que o verbo “cair”, todas as vezes que aparece no texto bíblico, tem sempre conotações negativas. Isto porque Deus nunca mandou o homem cair; muito pelo contrário. Os que caíam diante da manifestação divina, Deus logo os ordenava que levantassem.

O que eu estou afirmando é que Deus jamais jogou alguém ao chão por sua própria vontade. Os que cairam, agiram por conta própria, sem que Deus os lançasse ao chão. O caso de Abraão, Ezequiel, Daniel, o apóstolo João. Todos os fatos bíblicos envolvendo esses homens, seguiram um modelo religioso antigo: prostração, submissão e contemplação. Este comportamento foi importado de nações pagãs, que buscavam suas divindades com esse tipo de devoção. Por isso Deus é contrário a tal tipo de adoração. E mais: este tipo de postura os escravos a praticavam ao se aproximarem de seus senhores. Uma coisa é certa: tanto o Velho como o Novo Testamentos não mencionam “cair para trás”. Os que caíam o faziam para frente, com o rosto em pó ou sobre as pernas. De qualquer forma, a prática atual é descaracterizada do Velho e do Novo Testamentos.


LÓGICO QUE É UM TRABALHO DE INDUÇÃO

O velho modismo tem sua origem na indução. Os iniciados passam por uma verdadeira lavagem cerebral, onde tudo é muito valorizado. Uma vez coagidos e influenciados, começam a cair indiscriminadamente aqui e ali, em qualquer lugar e a qualquer hora.

As pessoas que passam a cair ficam dependentes de o-­ rações fortes, palavras persuasivas, sugestionamentos e instigações para repetirem de novo a sua nova façanha espiritual. É como injetar LSD na veia de alguém e esperar que tenha comportamentos espontâneos.

O modismo passou e uma pergunta ficou no ar: o que eles vão inventar da próxima vez? Seria bom se fosse um projeto de libertação para o povo latino-americano.


Autor: Rev. Paulo Cesar Lima
Fonte: www.rev-paulocesarlima.blogspot.com

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