terça-feira, 25 de maio de 2010

O Viajante


Texto de Joelmir Beting

Se beber não dirija. Nem governe.

Até aqui, em 40 meses de governo, o presidente Lula já cometeu 102 viagens ao mundo.

Ou mais de duas por mês, tal como semana sim, semana não. Sem contar, ora pois, até aqui, 283 viagens pelo Brasil...

Hoje, dia 15, ele completa 382 dias fora do país desde a posse. E pelo Brasil, no mesmo período, 602 dias fora de Brasília.

Total da itinerância presidencial, caso único no mundo e na História: Exatos 984 dias fora do Palácio, em exatos 1.201 dias de presidência.

Equivale a 81,9% do seu mandato fora do seu gabinete. Esta é a defesa da tese de que ele não sabia e nem sabe de nada do que acontece no Palácio do Planalto.

Governar ou despachar, nem pensar.

A ordem é circular. A qualquer pretexto.

E sendo aqui deselegante, digo que o presidente não é (nem nunca foi) chegado ao batente, ao despacho, ao expediente.

Jamais poderá mourejar no gabinete, dez horas por dia, um simpático mandatário que tem na biografia o nunca ter se sentado à mesa nem para estudar, que dirá para trabalhar.'

SEM CONTAR AS DESPESAS:

FHC, EM 8 ANOS DE GOVERNO, GASTOU R$ 58 MILHÕES, CRITICADOS PELO PT.

LULA ATÉ AGORA, EM MENOS DE 7 ANOS, GASTOU R$ 584 MILHÕES! E SÓ AS IDENTIFICADAS PELA IMPRENSA


E o povão ainda aplaude e vota!

TODOS PRECISAM SABER. VAMOS REPASSAR

Fonte: Blog do Pastor Cyro Mello

domingo, 23 de maio de 2010

Os "Filhos do Reino" - Quem são eles hoje? ( final )


3.Terceiro, pelo afastamento do fundamento da Reforma Protestante, alicerçado nas três temáticas absolutamente presentes no N.T.: evangelização, serviço e transformação histórica.

A reforma de Lutero não deve ser vista apenas sob a perspectiva religiosa. Se nos restringirmos ao dado religioso, não será possível sequer entender o fenômeno religioso em si. O dado religioso se constrói na História, em meio aos fenômenos sociais, políticos e econômicos. A Reforma Protestante não só revoltou as classes populares contra a tirania dos dogmas e da religião; sublevaram-se também contra a miséria e a injustiça. Não buscaram na Bíblia apenas a doutrina da salvação pela graça, mas também a prova da igualdade original de todos os homens.

Segundo Hegel, filósofo alemão, a reforma luterana foi a revolução fundamental, pois com Lutero começou a liberdade de espírito, liberdade que não apenas se conhece como direito, mas que é exigida como tal. O confronto de Lutero com Roma teve profundas implicações políticas e históricas. Ele não se confrontava com um “estado de espírito”, mas com um Estado Histórico tirânico e autoritário.

A maior luta de Jesus no primeiro século foi contra a virulência do sistema sacrificial presente na estrutura sócio-politica, econômica e religiosa da Palestina do primeiro século e que corruía a vida dos oprimidos.

É nesse contexto que devemos entender a prática de Jesus como desligitimadora da interpretação da lei feita pelas classes dominantes. Jesus defende a lei (Torah), como vontade primordial de Deus em favor da vida. Jesus se posiciona contra as tradições humanas, criadas pelos homens e utilizadas “como vontade de Deus”, para poder oprimir os demais.

Esta é a visão de Jesus. Ou seja: a vida humana está sempre acima da lei. Deste modo, qualquer pretensa manifestação da vontade de Deus contra a vida real dos seres humanos acaba sendo um atentado ao próprio Deus. A lei está sempre em referência à vida. Nenhuma lei tem valor em si. Isto é o que significa que “a lei foi feita para o homem”. Aí está a grande novidade da prática de Jesus, que manifesta soberania a da pessoa (sujeito) perante a lei e seu cumprimento e que certamente foi considerada escandalosa, subversiva e até mesmo demoníaca pelos dirigentes judeus. Isto nos permite entender por que nos evangelhos se insiste, depois da morte de Jesus, que Ele foi morto “cumprindo-se a lei”. Ele foi morto pelo pecado que sempre denunciou, pelo pecado que se comete cumprindo a lei.

O pecado o matou, porque Ele o havia denunciado e o faz cumprindo a lei. Jesus morre pelo pecado que se comete cumprindo a lei. E é morto porque denunciou este pecado. O apóstolo Paulo, em sua teologia, interpreta a morte de Jesus como um sacrifício que liberta dos sacrifícios, porque liberta a pessoa da busca da justiça pelo cumprimento da lei.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Os "Filhos do Reino" - Quem são eles hoje? ( parte III )


A presença do Reino de Deus em Cristo era a mais revolucionária de todas as ações divinas entre os homens. Isto posto é alienação buscar o Reino de Deus tão-só dentro da esfera subjetiva – um Reino para o coração – porque isso reduz o objetivo para o qual o Reino de Deus se manifesta – e se manifesta através da Igreja, que é o agente da revelação do Reino de Deus hoje entre os homens. A igreja é o agente do Reino de Deus e por isso não pode ser confundido como o próprio Reino, porque na própria história vimos que a igreja visível pode ser tornar às vezes um anti-reino.

Falamos assim porque interpretar a Igreja como o Reino de Deus é cair na tentação de pensar que o fato de pertencer à Igreja é garantia suficiente de que estamos dentro.

Mas o que parece ser verdade absoluta é desmascarada por Jesus, porque Ele é quem diz que “os filhos do reino” serão lançados para fora, onde haverá choro e ranger de dentes. Significa dizer, entre outras coisas, que estar na Igreja é muito bom e maravilhoso, mas isso não nos traz nenhuma segurança, se não estivermos vivendo verdadeiramente a realidade do Reino de Deus em sua missão de incluir os excluídos e trazer justiça onde houver injustiça, paz onde houver ódio, vida onde houver morte.

Em relação a isso eu diria que o discurso da Igreja atual se difere do discurso de Jesus no Novo Testamento em pelo menos três aspectos essenciais:

1.Primeiro, pela ausência da denúncia profética. A igreja ficou tão preocupada com o lado da sua interioridade (algo de fato muito importante) e terminou esquecendo de suas responsabilidades sócio-politica como voz profética. A denúncia profética, que evoca sempre a justiça e o equilíbrio social, sempre foi o elemento – chave no combate da Igreja contra os ídolos da morte e da escravidão, criados pelas sociedades injustas.

2.Segundo, pela presença de uma espiritualidade a - histórica. A Igreja Evangélica, por muito tempo, ficou engajada num discurso anti-social, espiritualizado e sublimando tudo o que podia: a fome, a sede, a dor, a miséria, a opressão, a doença e até mesmo a morte; negando todo tempo a realidade, não conseguindo unir o espiritual ao histórico. Isso se tornou um tremendo desastre para a Igreja, que acabou perdendo espaço social e político.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Os "Filhos do Reino" - Quem são eles hoje? ( parte II )


QUEM SÃO ELES?

Quer aceitemos ou não, nós, membros da Igreja de Jesus Cristo, somos hoje os “filhos do reino”. Esta descoberta nos leva a uma intima reflexão: se somos os “filhos do reino”, hoje, isto quer dizer que viver a vida cristã é ficar sob certa tensão, perguntando a Deus, todo o tempo, se estamos dentro ou fora do Reino.

Esta arrasadora verdade deve levar a todos nós – santos e cristãos normais – a uma profunda reflexão, de vez que podemos pensar que estamos “dentro” e estarmos “fora” do Reino. Aliás, a maior tragédia da vida cristã é o fato de pensar que se está dentro do Reino, quando se está fora.

O incidente ocorrido com Nicodemos ilustra bem o que estamos tentando explicar. Este dirigente de sinagoga, totalmente convicto da sua posição de escolhido por Deus e pelo fato de ser israelita e conhecedor da Tora, não tinha dúvidas de que podia dialogar com Jesus de igual para igual. Mas, em vez de ouvir o que queria, ficou embaraçado, confuso e meio sem rumo, diante da mais desconcertante palavra que ouvira em toda sua existência: para ver e entrar no Reino de Deus faz-se necessário nascer de novo, nascer da água e do Espírito. “Como posso fazer para voltar ao ventre de minha mãe e nascer de novo?” – indaga ele ao Filho de Deus.

Diante da paradoxal colocação de Nicodemos, Jesus não se constrangeu e continuou dizendo da sua necessidade de ter uma experiência de transformação com Deus e com o seu Espírito.

Segundo Jesus, Nicodemos está longe do Reino: não pode vê-lo, adentrá-lo, a menos que nasça de novo, ou seja, nasça de cima para baixo: não da religião – que é de baixo para cima , mas de Deus: de cima para baixo.

Observe que um homem extremamente religioso que imaginava estar totalmente dentro do Reino, estava completamente fora que nem sequer podia ver o Reino.

Como Nicodemos, alguns muitos evangélicos, conquanto estejam na igreja e sejam freqüentadores assíduos de todos os cultos, não sabem, no entanto, o significado real do Reino de Deus e sua presença restauradora entre os homens, convocando-os, provocando-os e desafiando-os com suas confrontações.

Isto acontece porque por muito tempo ouvimos falar de um Reino de manifestação exclusivamente escatológica, verticalista, sem nenhum horizontalismo. Um Reino que não chegou, mas vai chegar. Não aprendemos à dissociar o Reino aqui/agora do Reino depois/além. Temos por isso séria dificuldade de conciliar o agora com o depois.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Os "Filhos do Reino" - Quem são eles hoje? ( parte I )


"E, entrando Jesus em Cafarnaum, chegou junto dele um centurião, rogando-lhe e dizendo: Senhor, o meu criado jaz em casa paralítico e violentamente atormentado. E Jesus lhe disse: Eu irei e lhe darei saúde. E o centurião, respondendo, disse: Senhor, não sou digno de que entres debaixo do meu telhado, mas dize somente uma palavra, e o meu criado sarará, pois também sou homem sob autoridade e tenho soldados às minhas ordens; e digo a este: vai, e ele vai; e a outro: vem, e ele vem; e ao meu criado: faze isto, e ele o faz. E maravilhou-se Jesus, ouvindo isso, e disse aos que o seguiam: Em verdade vos digo que nem mesmo em Israel encontrei tanta fé. Mas eu vos digo que muitos virão do Oriente e do Ocidente e assentar-se-ão à mesa com Abraão, e Isaque, e Jacó, no Reino dos Céus; E os filhos do Reino serão lançados nas trevas exteriores; ali, haverá pranto e ranger de dentes. Então, disse Jesus ao centurião: Vai, e como creste te seja feito. E, naquela mesma hora, o seu criado sarou."

O Texto de Matheus cap.8, v.5-13 é algo que faz calar qualquer coração insensível, pelo fato de reproduzir um apelo bastante relevante sobre o nosso lugar como “filhos do reino”, designação que tem os seus privilégios, mas também muito peso de responsabilidade.

O episódio bíblico, conquanto tenha o seu lado factual de um grande milagre realizado por Cristo, não deixa de sinalizar para algo que é bem mais desafiador do que a cura realizada.

As palavras de Jesus “desta feita, virão pessoas do Oriente e do Ocidente e assentar-se-ão à mesa diante de Abraão, Isaque e Jacó no Reino dos céus, mas os filhos do Reino serão lançados para fora, no lago de fogo e enxofre, onde haverá choro e ranger de dentes”, pesam e agravam a seriedade da declaração. Em outras palavras, o Filho do Homem está asseverando que, com o advento do Reino de Deus – algo que aconteceu na sua manifestação – algumas coisas eminentemente estranhas e revolucionárias vão acontecer: os que pensam que estão dentro do Reino, vão para fora, e os que estão do lado de fora vêm para dentro. Pior: os que estão sendo expulsos de dentro são, nas palavras de Jesus, nada mais nada menos do que os filhos do Reino.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Política e Igreja ( final )


A vida política, a organização cívica das multidões judaicas, seus fardos, sua opressão...dependiam muito menos do Império Romano e muito mais da teologia que reinava nos grupos de escribas e fariseus. Eles, e não o Império, impunham fardos intoleráveis aos fracos...estabelecendo assim a verdadeira estrutura sócio-política de Israel. Nesse sentido, a contra teologia de Jesus era muito mais política do que qualquer declaração ou ato contra o Império Romano.

Além disso, as lutas dos zelotas não tinham absolutamente nada a ver com verdadeira libertação. Eles estavam lutando por nacionalismo judaico. A verdadeira libertação significa assumir a causa do homem como homem. Amar os inimigos é viver em solidariedade com todos os homens e assumir a causa do homem como homem.

A revolução que Jesus queria realizar – se assim pode ser chamada – era muito mais radical do que qualquer coisa que os zelotas, ou qualquer outro, pudessem ter em mente. Todos os aspectos da vida, político, econômico, social e religioso, eram radicalmente questionados por Jesus e virados de cabeça para baixo. Ele mostrava que nas idéias contemporâneas sobre o que era certo e justo, não havia amor, e que, portanto, eram contrarias à vontade de Deus.

Encontramos exemplos disso na parábola dos trabalhadores da vinha (Mt 20.1-15) e na parábola do filho prodigo (Lc 15.11-32). Os trabalhadores que “suportam o peso e o calor do dia” reclamam porque outros receberam o mesmo pagamento por apenas uma hora de trabalho. Parece tão desonesto e injusto, e até mesmo tão contrario à ética. Mas não é. Um denário é pagamento justo por um dia de trabalho, e eles tinham concordado com isso. Mas o patrão, como Deus, tinha sentido compaixão pelos muitos desempregados que ele encontrou na praça, e movido por verdadeira preocupação com eles e suas famílias, ele os tinha contratado para o resto da vida, pagando um salário que não era proporcional ao trabalho feito, mas sim proporcional às suas necessidades e às necessidades de suas famílias. Aqueles que tinham trabalhado o dia inteiro não participam da compaixão que o patrão sente pelos outros e por isso reclamam. Sua justiça como a “justiça” dos zelotas e dos fariseus não tem amor. Eles tem inveja da boa sorte dos outros e, como Jonas, lamentam a compaixão e generosidade de Deus para com os outros.

De modo semelhante, na parábola do filho prodigo, o filho mais velho, que tinha trabalhado fielmente para seu pai “durante todos esses anos”, e que nem uma vez desobedeceu às ordens de seu pai ( como os zelotas e os fariseus ), fica indignado quando ouve dizer que o pai mandou matar o novilho gordo e está preparando uma festa para seu irmão pecador. O filho mais velho não participa da compaixão que o pai sente pelo filho perdido. Por isso ele sente que seu pai está sendo injusto.

Se tivermos que empregar categorias como a política e a religião, e se tivermos que usá-las no sentido que em geral tem hoje, teríamos que dizer que Jesus não criticou os zelotas por serem políticos demais; Ele os criticou, bem como os fariseus e os essênios, por serem religiosos demais. Era o fanatismo religioso que levava os fariseus a perseguirem e oprimirem os pobres e pecadores. O ódio dos essênios contra os judeus impuros era ódio de inspiração religiosa.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Política e Igreja ( Parte I )


Os judeus não faziam nenhuma distinção entre política e religião. Questões que nós hoje classificaríamos como políticas, sociais, econômicas ou religiosas, seriam todas elas consideradas em termos de Deus e de sua lei. Um problema puramente secular teria sido inconcebível. Um estudo meramente superficial do Antigo Testamento deveria ser suficiente para tornar isso claro.

O Evangelho de Lucas refere-se constantemente à libertação de Israel. Em Lucas, as pessoas que aparecem na descrição do nascimento de Jesus e de sua primeira infância são mencionadas como “todos os que esperavam pela libertação de Jerusalém” (2.38) ou “pela consolação de Israel” (2.25). A profecia de Zacarias (o benedictus) está centralizada no Deus de Israel que traz a “libertação para o seu povo” (1.68) e “a salvação de nossos inimigos, da mão daqueles que nos odeiam” (1.71) “para nos tornar destemidos, nos salvou da mão de nossos inimigos” (1.74). Os inimigos de Israel são, sem dúvida, os romanos. A esperança e a expectativa manifestadas aqui se referem ao fato de que Jesus “seria aquele que libertaria Israel” (24.21).

Jesus pretendia cumprir essa expectativa religiosa-politica, mas não do modo como as pessoas esperavam, e certamente não do modo como os zelotas tentavam cumpri-la. Jesus pretendia libertar Israel de Roma, persuadindo Israel a mudar. Jesus estava preocupado com a libertação de modo muito mais autêntico do que os zelotas. Estes queriam mera troca de governo – de romano para judeu. Jesus queria mudança que iria afetar a estrutura da vida, chegando às concepções judaicas e romanas mais fundamentais. Jesus queria um mundo qualitativamente diferente – o Reino de Deus. Ele não aceitaria a simples troca de um reino mundano para outro reino mundano. Isso não seria libertação nenhuma.

Jesus enxergou aquilo que ninguém mais conseguia enxergar, isto é, que havia mais opressão e exploração econômica dentro do judaísmo do que fora. Os próprios judeus da classe média, que se revoltavam contra Roma, oprimiam os pobres e os ignorantes. O povo sofria muito mais devido à opressão dos escribas, fariseus, saduceus e zelotas do que por causa dos romanos. O protesto contra a opressão romana era hipócrita. É esse o ponto principal da famosa resposta de Jesus à pergunta sobre o pagamento de impostos a César.

Na prática, o governo romano significava a cobrança de impostos romanos. Para a maioria dos judeus, pagar impostos ao chefe romano significava dar a César o que pertencia a Deus, isto é, o dinheiro e os bens de Israel. Mas para Jesus isso era uma racionalidade, desculpa hipócrita para a avareza. Não tinha nada a ver com a verdadeira questão.

A resposta de Jesus (Mc 12. 14-17) revela não apenas a hipocrisia e a falta de sinceridade da pergunta, mas também o verdadeiro motivo que estava por trás da questão do pagamento de impostos: sede de dinheiro. As próprias pessoas que fazem a pergunta possuem moedas romanas. Considerava-se que as moedas eram propriedades particular dos governantes que as cunhava. Esta moeda trazia o nome e a imagem de César. Não é dinheiro de Deus, mas sim de César, só pode ser porque você ama o dinheiro. Se você realmente quisesse dar a Deus o que pertence a Deus, você venderia todos os seus bens e os entregaria aos pobres, você renunciaria a seu desejo de poder, de prestigio e de bens.

A verdadeira questão era a própria opressão e não o fato de que um pagão ousava oprimir o povo escolhido de Deus. A causa fundamental da opressão que eles mesmos exerciam sobre os pobres, tinham tão pouca compaixão quanto os romanos, senão menos.
Jesus era muito mais sensível aos sofrimentos dos pobres e dos pecadores. Em vez de pôr ênfase na opressão pelos romanos, Jesus pôs a ênfase na opressão pelos fariseus e saduceus (e, por implicação, a opressão pelos zelotas e essênios).

domingo, 9 de maio de 2010

Hoje - Dia das mães



Hoje é dia de poucas palavras.

Dia de um silêncio parceiro;

Dia de casulo, de encapuzar o coração;

E represar a alma toldada de tristeza.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Excessos


Não sejas excessivamente nada...

Nada em excesso faz bem...

Não sejas excessivamente bom para que não te enredes em tua própria bondade, e, assim, te corrompas na presunção de tuas próprias leis de nobreza e misericórdia.

Não sejas excessivamente justo para que a tua justiça não se torne em perversidade.

Não tentes ser amor, mas apenas ama.

Somente Deus é amor.

Nós não sabemos como é ser amor.

Não sejas completamente inclusivo, pois, assim, perderias o teu caráter.

Não sejas completamente exclusivo, pois, assim, perderias a tua alma e tornar-te-í-as empedrado.

E o caminho para a santidade é vereda do reconhecimento do pecado.

Não busques nem as alturas e nem os abismos.

Se tú chegares num desses pólos... que tenhas sido apenas levado pela vida, não por ti mesmo.

Antes, busca o caminho do equilíbrio e a vereda plana.

Todo excesso destrói o ser!

terça-feira, 4 de maio de 2010

Acostumar-se


"Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor.

E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora.

E porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas.

E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender cedo a luz.

E à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora.

A tomar o café correndo porque está atrasado.

A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem.

A comer sanduíche porque não dá para almoçar.

A sair do trabalho porque já é noite.

A cochilar no ônibus porque está cansado.

A deitar cedo, e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir.

A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta.

A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita.

E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar.

E a pagar mais do que as coisas valem.

E, a saber, que cada vez pagará mais.

E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma à poluição.

Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro.

À luz artificial de ligeiro tremor.

Ao choque que os olhos levam na luz natural.

Às bactérias de água potável.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer.

Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá.

Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo.

Se o cinema está cheio, a gente se senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço.

Se o trabalho está duro a gente se consola pensando no fim de semana.

E se com a pessoa que a gente ama, à noite ou no fim de semana não há muito o que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não ralar na aspereza, para preservar a pele.

Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para poupar o peito.

A gente se acostuma para poupar a vida.

Que aos poucos se gasta e se gasta de tanto se acostumar, e se perde em si mesma."

Autora: Clarice Lispector

domingo, 2 de maio de 2010

A Evangelização e seu Significado Integral


Evangelizar é tarefa primordial da Igreja, principalmente quando ela entende o seu momento e o seu papel histórico e, por isso, se articula na sociedade como comunidade alternativa para “salvar” aqueles que perderam o horizonte da vida e os referenciais acerca de Deus.

Evangelizar é, portanto, não permitir a degeneração humana; é não deixar que a sociedade, sem Deus, entre em colapso moral; é dar transparência às atitudes humanas quase sempre acobertadas pela farsa e pelo cinismo; é não deixar que a ganância dos poderosos esmaguem o povo miserável e oprimido; é levar os homens a uma aliança com Deus, através da pessoa de Jesus Cristo; é dar aos homens valores a partir dos quais possam conduzir suas vidas; é ser voz profética no combate contra a injustiça, a imoralidade, os vícios, a falta de caráter; é se insurgir profeticamente contra o cartorialismo, o fisiologismo, o corporativismo, o capitalismo selvagem, que visam, única e exclusivamente, o empobrecimento daqueles que não tem mais nada a perder; é reviver a esperança no coração de uma sociedade que tem sido aviltada, esmagada, estilhaçada, humilhada, ultrajada, espoliada pela violência política e econômica, que vem se perpetuando ao longo de sua dura existência. Enfim, evangelizar é recolocar na boca do povo o grito de independência e libertação dado por Jesus na cruz do Calvário (“Está consumado!”) contra o pecado, a culpa, a idolatria, a feitiçaria, o orgulho, a falta de solidariedade humana, a desumanização do ser humano, a morte, o inferno e as maldições provocadas pelos maus exemplos presentes na sociedade em que vivemos.

Autor: Rev. Paulo César Lima da Silva
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